O sol batia forte. O barulho dos contadini era um zumbido distante, abafado pelos meus próprios pensamentos. Eu estava sentado no chão, as costas apoiadas no tronco áspero da grande oliveira, olhando para o trabalho da vendemmia. A lição do meu pai ainda ecoava em minha cabeça. Uma uva fraca pode azedar o barril inteiro. A culpa da safra seria minha. O fracasso seria meu. Era uma responsabilidade que eu não pedi, uma punição velada pela qual eu não podia reclamar. — Signore. Il pranzo. (Senhor. O almoço). A voz dela me tirou do torpor. Ergui os olhos. Emanuele estava parada na minha frente, o rosto corado pelo calor e pelo esforço, o avental sujo manchando o seu vestido. Ela segurava um prato de massa fumegante. Normalmente, quando ela falava suas poucas e hesitantes palavras em it

