As palavras dele, a ameaça nua e crua, pairaram na sala fria. "Ele vai mandar matá-la sem hesitar." Eu sabia, lá no fundo, desde o primeiro dia, que minha vida tinha um preço e um prazo de validade. Mas ouvir aquilo, dito de forma tão direta, não colaborou para a minha resignação. Pelo contrário. Acendeu uma chama de pânico e, logo em seguida, de uma raiva amarga. Óbvio que eu não queria morrer, mesmo que tivessem roubado a minha vida. No entanto, a ideia da fertilização in vitro... A sugestão dele era, de alguma forma, pior do que a morte. Pior do que aceitar ser deflorada por um desconhecido. Quantos médicos me veriam nua sobre uma mesa fria? Que tipo de aparelhos gelados precisariam colocar dentro do meu corpo? Eu também não entendia nada sobre o processo, mas só de imaginar as mã

