Os primeiros raios de sol entraram pela janela da casina di caccia, iluminando a poeira no ar e o que sobrou da noite anterior. A única lâmpada ainda estava acesa, uma luz amarelada e doentia. Encostado na parede, no chão, em meio a sangue seco, estava Dante. Um amontoado patético, adormecido ou desmaiado pela exaustão do seu próprio drama. Ao lado dele, o corpo da garota, coberto por um lençol. Virei-me para o meu motorista, que aguardava em silêncio na porta. Não precisei de palavras. Um único aceno de cabeça foi a ordem. Pulite. A lupara bianca. Acompanhei o processo com um olhar clínico. Meus homens eram bons. Eficientes, silenciosos. Enrolaram o corpo, colocaram-no dentro de um saco de lona pesada e o levaram para o porta-malas do carro, sem ruído, sem hesitação. Um deles pass

