Devo confessar que foi... estimulante. A curiosidade dela, a forma como ela se ajustou para ouvir, mesmo depois de declarar seu ódio por ópera, foi inesperada. Isso não me levou a mostrar meu melhor repertório, as peças mais complexas ou raras. Pelo contrário. Tratei-a como o que ela era: um público exigente e completamente leigo. Comecei a escolher as músicas mais fáceis de gostar, as melodias que apareciam com frequência em filmes ou comerciais, de fácil aceitação. O Dueto das Flores foi o primeiro teste, e ela passou. Mas o jogo se tornou interessante depois. Tinha árias que eu jurava que ela gostaria, pela beleza óbvia da melodia, mas ela as rejeitou com uma careta. Em alguns casos, percebi que era pura pressa; ela não esperava a música crescer, não tinha paciência para a apoteose.

