O carro blindado deslizava pelo asfalto como um tubarão em águas calmas. Eu estava no banco de trás, ladeada por vidros escuros que transformavam a tarde ensolarada de Palermo em um crepúsculo obscuro. No banco da frente, dois seguranças armados não diziam uma palavra. Quando o carro parou, o motorista correu para abrir a minha porta. — Chegamos, Signora. Via della Libertà. Desci do carro e, pela primeira vez em dias, o ar não cheirava a maresia ou ao perfume doce até enjoar das criadas - em especial, o de uma certa criada. Cheirava a tudo o que aqueles engomadinhos valorizavam: riqueza e poder. A avenida era um corredor de elegância intimidadora. Árvores imensas, plátanos de troncos grossos e folhas largas, formavam um túnel verde que filtrava a luz do sol, criando sombras douradas s

