As palavras saíram de mim, um desabafo que eu não consegui deter, a verdade crua e feia derramada no silêncio daquela casa de pedra. E então, eu esperei. Pela zombaria, pela indiferença, por mais uma ordem fria. Mas o que veio foi diferente. Ele me olhou, e pela primeira vez, depois de tantas traduções seguidas, pareceu que ele finalmente me entendia. Ele me olhou como se eu fosse, pelo menos, humana. Com uma delicadeza que eu não sabia que ele possuía, ele pegou o celular da minha mão. A voz eletrônica traduziu suas palavras, mas o tom em sua voz real era... cansado. Não era mais irritado, apenas exausto. — "Eu não te odeio. Eu apenas... não sinto nada por você. Eu não queria estar casado com você." Dei uma risada curta, sem graça, um som que pareceu um latido no silêncio. Se não

