Os dias se arrastaram, tornaram-se tão lentos quanto tartarugas sem patas. Sem dúvidas, foi a semana mais longa da minha vida. O Palazzo Rossi, com toda a sua grandiosidade de mármore e ouro, encolheu ao meu redor até se tornar uma gaiola de passarinho. Eu tinha livros. Tinha a vista do mar. Tinha servos que traziam refeições que eu m*l tocava. Mas eu não tinha ninguém. Sem Viviana para contar histórias ou me ensinar a língua até se irritar de tanto corrigir minha pronúncia, sem a movimentação barulhenta da colheita e a cumplicidade com a criada novata Carmem, o silêncio se tornou meu único companheiro. E no silêncio, a mente cria monstros. Dante saía antes de eu acordar e voltava quando o jantar já tinha esfriado. Ele cumpria o papel dele: o Sottocapo incansável, o homem que limpava a

