O mármore da grande escadaria estava frio sob as solas dos meus sapatos. A cada degrau que descíamos, o som abafado da música folclórica e o burburinho de dezenas de vozes ficavam mais altos, subindo do pátio como uma maré. Senti os dedos de Emanuele apertarem meu braço. O toque dela era leve, mas a tensão em seu corpo irradiava através do tecido do meu terno. Ela estava cumprindo o pacto. Sorria, a cabeça erguida, a máscara de Signora Rossi colada ao rosto pálido. — Non tremare (Não trema) — sussurrei, sem mover os lábios, olhando para frente. — Loro sentono la paura. (Eles sentem o medo.) Ela endireitou a postura, o queixo subindo um milímetro. — Non sto tremando. (Não estou tremendo.) — A resposta veio rápida, defensiva. Ótimo. A raiva era um combustível melhor que o pânico. C

