Ela se sentou em sua poltrona e me esperou falar, esquecendo-se da cortesia de pedir para que eu fizesse o mesmo. Fiquei de pé, sentindo-me pequena em seu santuário. — Ele não voltou — comecei, a voz um fio. — Dante. Ele saiu ontem à noite. E não voltou. Contei sobre seu comportamento suspeito, sua fúria, seu olhar no jantar e suas fugas. Pelo menos as que eu suspeitava serem as únicas. Viviana assentiu, como se compreendesse, como se já esperasse por aquilo. — Senta aí, ragazza — disse ela, quase um sussurro. Senti que viria a seguir uma conversa conspiratória, mas era assim na maioria das vezes que eu estava com ela. Viviana passou a mão pelo rosto cansado e então fez um gesto. Ergueu a mão direita, os dedos velhos e nodosos se curvando até formarem uma garra. Pressionou-a cont

