Capítulo 22: Emanuele

718 Words

A luz do sol ainda não tinha atravessado as cortinas pesadas quando senti uma mão tocar meu ombro. Não era a mão rude de uma das criadas. Era ossuda, fria, e o toque foi surpreendentemente gentil. Abri os olhos e dei de cara com o rosto enrugado de Viviana, que me observava da beira da cama. — É hoje, criança — ela disse, em português. — O dia do seu casamento. Ao lado dela, em um manequim, estava o vestido. Não era novo. Era o fantasma de um vestido, um mar de seda pesada e renda, de um tom que um dia fora branco, mas que o tempo amarelou para a cor de marfim velho. — Foi o meu — disse Viviana, seguindo meu olhar. — Eu me casei com ele, em outra terra que não era a Sicília, há mais de sessenta anos. Agora, é seu. Antes que eu pudesse responder, as duas criadas da noite anterior en

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