A voz de Vittorio cortou o silêncio do saguão, fria e controlada, ignorando a mulher caída a seus pés. Seu olhar encontrou o meu, no último degrau da escadaria. — Mamma. Onde está o meu filho, para que deixe sua esposa tentar fugir dele desta forma? Desci o último degrau, a bengala batendo um ritmo lento e deliberado no mármore. Caminhei sem pressa até ele, passando pela brasileira ofegante no chão. Em seu cotovelo, vi um pequeno corte, a pele arranhada de alguma queda do lado de fora. Ragazza, pensei, crie um pouco de juízo. Não comece uma revolta abertamente agora. Parei diante de meu filho, perto o suficiente para ver a fúria contida em suas feições. Ergui minha mão e toquei seu rosto com uma delicadeza que não sentia. Ele apenas me observou, seus olhos escuros e indecifráveis.

