Enquanto ele comia com um apetite quase voraz, eu experimentava o prato com cautela. Era macarrão, sim, mas diferente. Acho que nunca me acostumaria com a comida deles. A massa era mais grossa, enrolada, e tinha uma textura firme. O molho era de tomate, mas havia pedaços de algo macio e oleoso misturados – berinjela frita, talvez? – e por cima, um queijo branco, seco e muito salgado, que desmanchava na boca. Os sabores eram estranhos ao meu paladar. Forte. Salgado. Ácido. Faltava o aconchego do tempero de casa, o cheiro verde, a familiaridade. Mas a fome falava mais alto. Comi, garfada após garfada, até sentir a barriga cheia, o vazio doloroso finalmente aplacado. Quando o traste terminou, ele não disse nada. Apenas limpou a boca, empurrou o prato e se levantou. Saiu da sala e voltou

