Minha pergunta, traduzida pela voz sem alma do celular, pairou no ar. A resposta dela foi um olhar. Um olhar ofendido, como se a minha total falta de interesse em seus problemas de insônia fosse a maior das crueldades. Ela se virou, os ombros tensos, e começou a subir a escada de volta para o quarto. Ótimo. Finalmente. Mas então, ela parou no meio do caminho. E voltou. Com passos deliberados, ela atravessou a sala e se sentou no outro sofá, de frente para mim, uma desafiante silenciosa na penumbra. Antes que eu pudesse reagir, ela se inclinou e tomou o celular das minhas mãos. A audácia dela era inacreditável. Ela falou, a voz baixa, mas firme, para o aparelho. A tradução soou, revelando uma fraqueza que eu não esperava. — "Ho paura di stare da sola al buio." (Tenho medo de ficar soz

