Uma semana. Fazia uma semana que a coleira de Dante tinha sido encurtada, e a minha, por consequência, apertada. Uma semana desde o decreto de Vittorio na sala da pranzo. E nesse tempo, a dinâmica na suíte matrimonial havia mudado completamente. O meu marido fantasma se materializou. Ele estava sempre lá. Com sua liberdade cassada, Dante se tornou uma presença constante e pesada em nosso espaço compartilhado. Ele não era mais um espectro que eu ouvia chegar no meio da noite. Era uma nuvem de tempestade silenciosa que ocupava o sofá, que andava de um lado para o outro na varanda, que passava por mim no corredor com os olhos fixos no nada. E eu o observava. Minha dedicação às aulas de italiano com Viviana tinha triplicado. Se eu ia viver naquele inferno, eu precisava, no mínimo, entender

