Uma nova música começou no meu ouvido. O começo era normal, chato. Uma melodia suave de orquestra que não ia a lugar nenhum. Por pouco, muito pouco, eu não tirei o fone. Dei mais uma chance, um último suspiro de paciência. E então, as vozes entraram. Eram duas. Não era um grito, como o da outra. Era... diferente. As palavras pareciam dançar no ar. Uma voz mais fina, mais alta, e outra um pouco mais grossa, mais aveludada, cantavam em uma harmonia perfeita. Uma subia, a outra descia, e então elas se encontravam no meio, se entrelaçando como duas fitas de seda no vento. A música era perfeita. A leve diferença na pronúncia me levou a pensar que não era mais italiano. Era francês, talvez. Apenas um palpite. Mas a percepção me trouxe uma nova clareza sobre o homem sentado à minha frente.

