O sol estava se pondo, tingindo o céu de um vermelho injetado de sangue, como os olhos de um bêbado. O ar quente e pegajoso do dia finalmente começava a amainar, mas não trazia alívio. Eu estava exausto. Coberto de poeira e do suor de um dia inteiro andando sob o sol. Meu dia foi uma tortura. Supervisionar a "seleção". Ouvir os contadini rindo, falando em siciliano sobre a festa da vendemmia que se aproximava, enquanto a lição do meu pai sobre a "uva podre" ecoava em minha cabeça a cada cacho que eu inspecionava. Chiara... Meu filho... Minhas uvas podres. O gerente da tenuta se aproximou sem pressa, o rosto marcado pelo sol, segurando uma prancheta. Ele me deu os relatórios do dia, falou sobre a contagem, o açúcar. Eu apenas assenti, os olhos mortos. O trabalho, a minha punição,

