Observei-a, uma expectativa estranha se formando em meu peito. Eu esperava que ela me surpreendesse, que talvez, por um milagre, a beleza na voz de Montserrat Caballé a tocasse de alguma forma. Mas, em menos de um minuto, ela arrancou o fone do ouvido com uma careta. A música escolhida era uma interpretação divina de "Vissi d'arte". Pelo visto, realmente não era para ela. Eu estava certo desde o início. Ela pegou meu celular, um gesto que já se tornava perigosamente comum entre nós, e falou, a irritação clara em sua voz. — "Você gosta mesmo disso? Ela só fica gritando as palavras de um jeito estranho." O pior era que, em um nível superficial e bárbaro, ela estava certa. Mas era uma observação tão simplista que chegava a ser um insulto. Para quem não entende, uma soprano no auge de

