Acordei no chão de pedra fria da casina di caccia. A luz do sol da manhã entrava pela janela, forte e dolorosa, um holofote sobre a cena vazia. Por um instante, eu não soube onde estava, a cabeça pesada, latejando. Então, a memória da noite anterior me atingiu com a força de uma avalanche. O som do tiro. O cheiro de sangue. O corpo dela caindo. Levantei-me, os músculos protestando, o corpo todo doendo. A sala estava limpa. Limpa demais. Não havia corpo, não havia dedos, não havia a poça de sangue que se espalhara como um tapete vermelho. Apenas um cheiro fraco de água sanitária no ar, que queimava minhas narinas e minha alma. A única prova do que aconteceu eram as manchas escuras e secas em minha camisa, no meu rosto, nas minhas mãos. Não foi um maldito pesadelo. As lágrimas nasceram

