O cheiro dela de óleo e flores ficou para trás. Fiquei parado, a água do banho escorrendo pelo meu corpo, processando o que tinha visto. A beleza dela. Não era um conforto; era uma complicação. Outra distração, outra fraqueza potencial que eu não podia me permitir. Fui até o armadio. Eu não ia para este jantar como um trabalhador comum que vaga pelos campos. Eu ia como um Rossi. Um orgulho que eu não conseguiria abandonar. Escolhi a minha armadura: um terno cinza-carvão, perfeitamente cortado. Uma camisa branca, impecável. Vesti-me com uma precisão metódica, fria, cobrindo o responsável pela vendemmia com a fachada do filho do Don. Ajeitei os punhos da camisa, e o linho branco e imaculado roçou contra a pele vermelha e esfolada dos nós dos meus dedos. Olhei para a ferida, ainda crua.

