O ragù de cordeiro estava divino. Cada garfada era um lembrete da ordem e da excelência que meu pai exigia em tudo, da comida aos negócios. O Nero d'Avola descia suave, aquecendo meu peito. Eu estava tendo um ótimo jantar. Meu irmão, por outro lado, parecia estar mastigando cinzas. A mandíbula travada, os olhos fixos no prato, emanando uma fúria silenciosa e infantil que me era tão familiar. Dante sempre fora assim: um turbilhão de emoções inúteis contra a rocha que era a vontade de nosso pai. E então a porta se abriu, e a causa do drama da noite entrou. Ergui minha taça de vinho para cobrir a boca, escondendo o sorriso que teimava em nascer. A brasileira. Trazida de algum lugar esquecido por Deus, parecendo um filhote de passarinho assustado em um vestido vermelho caro demais para ela

