A manhã nasceu com uma claridade excessiva, uma luz branca e afiada que entrava pelas janelas altas da sala da pranzo, ferindo os olhos de quem tinha dormido pouco. O ar ainda carregava o cheiro residual de fogueiras apagadas e vinho derramado no pátio, mas ali dentro, na fortaleza do meu pai, o aroma era de café fresco e açúcar queimado. O café da manhã transcorria em uma normalidade perturbadora. Não havia a tensão rastejante da noite anterior, nem os brindes envenenados. Havia apenas o som da prataria contra a porcelana e o farfalhar dos jornais que meu pai ignorava ao lado do seu prato. Era como se a quase explosão de violência, o insulto à memória de Chiara... tudo tivesse sido varrido para debaixo do tapete persa junto com as migalhas. Observei Romeo do outro lado da mesa.

