Fiz com que nosso encontro fosse breve. Não disse “meu motorista me bateu”, isso seria ridículo, apenas falei que meu irmão tinha chegado para o jantar. Ignorei a expressão no rosto de Emanuele. A confusão, a preocupação... não importava. Deixei-a parada no meio do quarto e marchei para o banheiro, batendo e trancando a porta atrás de mim. Apoiei as mãos na pia de mármore, encarando meu reflexo no espelho. O homem que me olhava de volta era um estranho. Sujo de terra, o lábio partido, o sangue seco em meu queixo. E os olhos... mortos. Abri a torneira e joguei água fria no rosto, tentando lavar a imagem. Mas aquele novo eu me acompanharia pelo resto da vida. Um fantasma. Entrei no chuveiro e girei o registro, deixando a água quente cair sobre mim, um jato forte que batia em minhas c

