O Palazzo Rossi continuava sendo uma fortaleza, mas naquela tarde, minha cela foi invadida por sedas, alfinetes e uma equipe de alta-costura que falava rápido demais. Dante não permitiu que eu fosse a uma Maison escolher o traje para o Gran Galà di San Martino. Em vez disso, ele trouxe a Maison até mim. Três araras de roupas bloqueavam a luz da janela, e cinco mulheres orbitavam ao meu redor como satélites nervosos, com medo de espetar a esposa do Sottocapo e perderem os dedos. Era a sequência clichê de sempre, aquela que eu já tinha visto em filmes, mas que na vida real parecia apenas exaustiva. A modista-chefe me empurrou para frente do espelho com a primeira opção. — Argento, Signora! — Ela exclamou. O vestido era prata. Não um prata discreto, mas algo que parecia feito de diamant

