As portas do estábulo se fecharam, e a escuridão crescente engoliu a figura do meu pai. Fiquei sozinho com o cheiro de feno e o som da respiração pesada do cavalo. E com o eco daquelas palavras. Que ela seja mãe logo. Uma onda de fúria subiu pela minha garganta, tão quente e violenta que eu não consegui contê-la. Virei-me e soquei a pilastra de madeira do estábulo mais próximo. A dor explodiu na minha mão, farpas se cravando na pele, mas era uma dor bem-vinda. Uma dor física, limpa, que por um instante abafou o nó de impotência em meu peito. Apoiei a testa na madeira áspera, a respiração ofegante. O nosso acordo. Aquele pacto selado em palavras na penumbra da casina di caccia. Pareceu tão inteligente, tão prático. Um ano. Uma trégua. Uma solução civilizada para um problema bárbaro.

