Minha mão tremeu sobre a maçaneta de bronze. Cada instinto no meu corpo gritava para que eu voltasse, para que eu me trancasse no quarto e nunca mais saísse. Mas o medo do que aconteceria se eu desobedecesse era ainda maior. Fechei os olhos, respirei fundo e girei a maçaneta. A porta pesada se abriu com um rangido baixo, revelando a sala de jantar. E por um instante, a beleza da cena me roubou o fôlego. O cômodo era vasto, com paredes escuras de madeira e um teto tão alto que se perdia na penumbra. Não havia luz elétrica. A única iluminação vinha das chamas de dezenas de velas. Sobre a longa mesa, dois candelabros de prata maciça, com múltiplos braços, derramavam uma luz dourada e trêmula sobre a porcelana e os cristais. Acima, pendurado no centro da sala, um lustre gigantesco, també

