Eu estava aproveitando o jantar. Era uma das poucas coisas que ainda me davam algum prazer nesta casa. O silêncio à mesa, que para um estranho seria sufocante, para mim era apenas o som de fundo da minha vida. Um silêncio que me permitia focar no que importava. E a comida importava. A cozinheira tinha se superado. O primo piatto era um tagliatelle fresco, feito naquela manhã, com um ragù de cordeiro cozido lentamente por oito horas. Cada fio de massa estava perfeitamente coberto pelo molho rico e escuro. Simples. Perfeito. No meu copo, o Nero d'Avola de nossa própria safra, um vinho tinto encorpado, com o gosto da terra que pertencia à minha família há gerações. Estava excelente. Por um breve momento, eu quase me esqueci. Então, a porta da sala de jantar se abriu. E o gosto do vinho

