Eu não dormi. A noite inteira foi uma tortura de pensamentos, revirando na cama que parecia grande demais, vazia demais. Repassei os últimos acontecimentos, tentando encontrar um sentido. A música. A trégua. E então, a mudança súbita no rosto dele ao ler a mensagem no celular. Só podia ter sido dela. Da amante. Lembrei do retorno dele, horas depois, da busca frenética pelo celular. Lembrei da minha própria resposta grosseira, devolvendo na mesma moeda a grosseria que ele me dirigira. Um pingo de arrependimento se misturou à raiva que eu sentia. E então, pensei no jantar, na noite anterior. Na forma como ele me encarou, em silêncio. Na hora, eu vi apenas raiva. Mas agora... agora eu via mais. Ele me sondava, seus olhos verdes tentando ler algo em mim, como se quisessem descobrir uma ver

