Assombração. A palavra ainda ecoava no quarto na manhã seguinte, pairando sobre a cama como uma fria neblina tóxica. Dante tinha dormido imóvel a noite toda, não disse uma palavra, não tentou me entender. Aquele silêncio... me lembrava o mesmo tratamento que ele me dava quando estava com a Chiara. Eu queria não ver isso, mas era inevitável. Pela manhã, ele tinha saído antes que eu abrisse os olhos. Não houve nenhuma tentativa de toque, nem sussurro de despedida, nem o cheiro dele se aproximou de mim, como se cada átomo seu me temesse e me evitasse após minha explosão de ontem. A luz fraca do dia iluminava apenas o vazio do lado dele do colchão e a certeza de que a muralha entre nós tinha ganhado mais uma camada de tijolos e gelo. Levantei-me, sentindo o gosto amargo de uma noite m*l d

