A água quente caía sobre meus ombros, um vapor denso enchendo o box de mármore. Eu tentava lavar o suor da cavalgada, a poeira dos estábulos. Tentava de todas as formas lavar a sujeira daquele dia. Mas ela estava impregnada na minha mente. Meu pensamento voltou para o confronto nos estábulos, horas atrás. Eu estava cuidando de Nero, escovando o pelo n***o e lustroso do meu cavalo. Era um dos poucos momentos em que eu sentia alguma paz naquele lugar, a respiração calma do animal, o cheiro de feno e couro. Então, meu pai chegou. Ele não veio para me ver. Caminhou direto para a baia onde ficavam seus "campeões", os purosangue árabes que ele importara por uma fortuna. Suas peças mais raras. Sem me encarar, enquanto passava a mão pelo focinho de um garanhão branco, ele começou a conversa.

