Acordei com o corpo dolorido e uma rigidez no pescoço. A luz da manhã, cinzenta e fraca, entrava pelas janelas da casa de caça. Demorei um segundo para lembrar onde estava. O sofá de couro era uma cama terrível. Olhei para o lado e o vi, ainda adormecido no outro sofá, o corpo grande demais para o espaço apertado. Por um instante, na quietude da manhã, ele não parecia o monstro da noite anterior, apenas um homem dormindo. A lembrança da noite, das músicas, do sorriso dele, voltou à minha mente, um calor estranho e passageiro. O som de um carro se aproximando na estrada de terra quebrou o silêncio. Sentei-me em um pulo. Dante acordou no mesmo instante, o corpo tenso, o sono desaparecendo de seus olhos para dar lugar a um alerta imediato. Ele olhou para mim, depois para a porta. A port

