A sala da pranzo estava ao modo que gostávamos: imersa na penumbra dourada que apenas o fogo pode oferecer. Por vontade de Vittorio, e tradição minha, aquela parte da casa não tinha eletricidade. Dezenas de velas em candelieri de prata projetavam sombras longas e dançantes nas paredes de pedra, criando um ambiente que era, ao mesmo tempo, íntimo e solene. Um santuário. Silvana Bellagamba tinha preparado um menu perfeito. Não era comum que eu ficasse animada para o jantar, mas naquela noite, sentia uma fome antiga. As criadas serviam a entrada, o l'antipasto clássico do verão: fatias finas de Prosciutto di Parma, curadas à perfeição, dispostas artisticamente ao lado de pedaços de melone cantalupo laranja e doce. O contraste entre o salgado da carne e o doce da fruta era o equilíbrio

