Luíza
Estava no meu quarto quando alguém bateu à porta. Abri e era a mãe do Lucca.
Lúcia: — Olá, como você está, menina?
Luíza: — Oi, estou bem, e você?
Lúcia: — Bem. Posso entrar?
Luíza: — Sim, entre, por favor.
Ela entra e se senta na cama.
Lúcia: — Preciso te explicar algumas coisas sobre o Lucca e o temperamento dele.
Luíza: — Ok.
Lúcia: — O Lucca é um garoto especial.
Luíza: — É, eu sei… ele é filho único.
Lúcia: — Não, Luíza. Poucas pessoas sabem disso, mas ele é muito inteligente, embora às vezes tenha algumas crises.
Luíza: — Espera… ele é especial como…? Ele tem algum transtorno mental?
Lúcia: — Exatamente. Ele tem esquizofrenia.
Luíza: — Esquizofrenia? O que é isso?
Lúcia: — Você nunca ouviu falar?
Luíza: — Não. É tipo psicose ou Asperger?
Lúcia: — Mais ou menos. É um distúrbio que afeta a capacidade da pessoa de pensar, sentir ou se comportar com clareza.
Mas o Lucca é um menino de sorte. A esquizofrenia acabou dando a ele um QI muito elevado, o que o tornou ainda mais inteligente. Não é à toa que ele triplicou o império da família em menos de três anos. Ele é um grande homem de negócios.
Luíza: — Então é por isso que ele não gosta muito de falar ou demonstrar afeto?
Lúcia: — Isso mesmo. Eu só quero te pedir uma coisa, Luíza: seja paciente. Meu filho não gosta de ser contrariado.
Luíza: — Certo. Muito obrigada.
Lúcia: — Ah, e mais uma coisa: não comente sobre isso com ninguém. As pessoas podem pensar que ele é fraco e tentar se aproveitar.
Luíza: — Jamais direi nada.
Ficamos conversando por mais alguns minutos e, em seguida, a acompanhei até a sala. Encontramos o Lucca bebendo vinho.
Luíza: — Oi, Lucca!
Lucca: — Arrume suas coisas. Você vai morar em outra fazenda minha.
Luíza: — E minha faculdade?
Lucca: — Lá tem uma das duas melhores universidades do país.
Não vou contrariá-lo. Antes viver longe dele do que ter que encarar essa cara feia todos os dias.
Luíza: — Tudo bem, então.
Lucca: — Já providenciei sua transferência. Não se preocupe.
Luíza: — Ótimo.
Lucca: — Você quer ir embora?
Luíza: — Mas é claro! Eu nem queria ter vindo para cá. Qualquer coisa é melhor que viver no mesmo teto que você. — digo, sarcástica.
Viro-me e subo as escadas. Começo a arrumar minhas coisas na mala. Quero ficar o mais longe possível desse homem teimoso.
Depois de quase quatro horas, tudo já está devidamente organizado. Eu detesto mudanças, mas… fazer o quê, né?
Vou até a cozinha e pergunto à Lilí pelo Lucca. A filha dela parece não gostar muito de mim, mas isso pouco me importa.
Lilí: — Ele está no quarto, Lú.
Luíza: — Ok.
Subo as escadas e bato à porta.
Lucca: — Entre!
Um pouco desencorajada, entro. Ele está de costas para mim, vestindo apenas uma toalha na cintura. Baixo o olhar — caso ele se vire, não quero cruzar os olhos dele.
Luíza: — Sr., minhas coisas já estão prontas.
Ele solta um suspiro pesado. Será que pensou que fosse outra pessoa?
Lucca: — Ótimo. Vou me vestir e avisar o motorista para levá-la.
Luíza: — Ok, Sr. Obrigada.
Já ia me virar para sair quando ele me chama.
Lucca: — E, Luíza?
Luíza: — Sim? — digo, levantando o rosto e encontrando os olhos dele.
Preciso admitir: ele é muito bonito. Corpo musculoso, boca linda e olhos negros como a noite, que contrastam com a pele clara e a boca avermelhada.
Lucca: — Não me chame de “Sr.”. Não sou tão velho assim.
Luíza: — Ah, desculpe. Eu não quis insinuar nada… é só uma forma de respeito. Afinal, você me comprou.
Lucca: — Eu não comprei ninguém. Meu pai negociou com o seu. Não tenho culpa do que houve. Aliás, eu teria mais de um milhão de mulheres loucas para casar comigo. — diz, em tom de deboche.
Luíza: — Pois é… então eu sou muito sortuda por ser a escolhida. — retruco, ainda mais debochada.
Viro-me e saio antes que ele diga mais alguma coisa. Ao fechar a porta, dou de cara com Belly. Ela passa por mim e ignora minha presença.
Desço e fico esperando pelo Lucca. O motorista aparece.
Demom: — Senhora, o Lucca me ligou e disse que já podemos partir.
Levanto-me, sigo até o carro, ele abre a porta para mim e seguimos viagem.