Olivia Hayes O portão da antiga mansão de Liandra rangia, ecoando como um aviso. A lua cheia banhava de prata o jardim descuidado: roseiras mortas, fontes secas, estátuas de anjos cujo olhar vazio parecia me seguir. No bilhete, Sergei ordenara: “Venha aqui sozinha. Descubra o que ele nunca quis que você visse.” E ali estava eu, tomada pela mescla de determinação e medo, pronta para enfrentar o passado mortífero de Alessandro — o mesmo passado que eu temia se repetisse em nosso futuro. Cruzei o pátio, cada passo levantando véus de pó e folhas secas. O ar cheirava a mofo e decadência. A porta principal de carvalho, marcada por entalhes florais, abriu-se com esforço, revelando um hall amplo, forrado de tapetes puídos e lustres cujo cristal caía em cascata de pó. As paredes, antes alegradas

