Alessandro Volkov Fiquei sentado diante da janela de vidro preto da minha cobertura, contemplando a selva de concreto lá embaixo. O mundo lá embaixo seguia indiferente aos meus conflitos internos, mas meu coração batia como um tambor de guerra. Era madrugada, e o vento gelado sussurrava contra o vidro, quase zombando do meu isolamento voluntário. Olivia se refugiara no silêncio desde o nosso último confronto. Suas palavras — “Você me empurra para longe” — ecoavam entre as paredes de vidro, cortando cada fibra do meu orgulho. Eu não conseguia dormir. Cada vez que fechava os olhos, imaginava o rosto dela: a expressão ferida, o leve tremor nos ombros, o brilho de dúvida em seus olhos. A culpa me consumia. Meu controle havia se transformado em punição. Eu a isolava de Arthur, manipulava sua

