Uma noite de festa
Beatriz
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Me olho no espelho e passo meu batom vermelho.
Hoje tem tudo pra dar errado. E é disso que eu gosto.
— Já tá pronta? — Gabi pergunta na porta do banheiro.
— Tô, o que você achou? — pergunto.
— Uma grande gostosa. — Mariane diz sorrindo.
— Concordo. — Gabi disse e rimos.
Sai do banheiro e fui pro quarto da Mariane, peguei a minha bolsa e coloquei o batom vermelho dentro dela.
— Já pedi o uber. — Gabi fala.
— Tá bom. — digo.
Elas pegaram as coisas dela e saímos de casa, o carro não demorou pra chegar, então fomos para a boate.
Mostramos o nosso ingresso e entramos.
— Não importa o que aconteça, nenhuma sai sem a outra. — Mariane disse.
— É isso aí garotas. — falo.
Dizem que uma mulher fica mais bonita depois de um término, é verdade, eu sou a prova viva disso, ainda mais quando o termino é por motivo de traição, aí que ficamos mais lindas e gostosas.
Tudo pela vinhaça.
A música alta, pessoas todo tempo derrubando bebidas umas nas outras por falta de espaço.
Fui até o bar com as meninas, eu pedi um copo de gin, energético e gelo de coco.
— Vem vamos dançar. — Mariane disse.
— Vão vocês, juro que depois eu vou. — eu disse.
— Tudo bem, mas não sai dai. — Gabriela disse.
Elas foram juntas dançar.
— Não gosta de dançar? — ouço uma voz perguntar, me viro e vejo que era o cara do meu lado no bar.
— Gosto. — digo me virando pra vê-lo.
Ele era alto, pele n***a, olhos castanhos escuros, tinha várias tatuagens, ele tinha um olhar bem forte.
— Então por que não dançar com as suas amigas? — ele pergunta olhando nos meus olhos.
— Eu gosto de ficar observando quando chego, mas por que quer tanto saber? — pergunto e ele sorri.
Puta m***a que sorriso.
— Nada, só te achei interessante. — ele diz e dá um leve sorriso.
Tudo bem, eu não vou cair na graça de um cara extremamente gostoso e atraente. Não hoje.
— Quer beber alguma coisa? — ele pergunta.
— Já tô bebendo. — respondi e levantei o copo.
— O que é isso, gin? — ele pergunta rindo.
— É, por que? — pergunto.
— Deveria tomar algo a sua altura.
— É, tipo o que? — pergunto.
— uísque. — ele diz. — Um bem forte e caro.
— Eu tenho cara de quem tem dinheiro pra tomar bebida cara? — pergunto rindo.
Ele chamou o barman e pediu pra ele a bebida, ele se levantou e eu percebi o quão alto ele era e também o seu belo físico. Ele colocou o banco dele mais perto do meu.
— Não precisava dessa bebida. — falo e ele dá um leve sorriso.
— Bebe e depois me fala se não precisava mesmo. — ele diz.
Coloco o meu copo de lado e então pego o copo que ele me deu.
É, a bebida é forte, cara e muito boa. Ele ficou me olhando a todo momento.
— O que foi que você me encara tanto? — perguntei.
— Porque você é bonita. — ele diz olhando nos meus olhos
— Obrigada. —falo um pouco envergonhada.
— Eu não queria te deixar com vergonha. — ele fala e toca o meu rosto me fazendo olhar pra ele.
Ele colocou uma mecha do meu cabelo para trás e deu um sorriso largo.
— Você tem belos olhos. — ele disse.
— E você uma bela boca. — falo e ele ri.
— Então por que não a beija? — ele pergunta olhando nos meus olhos.
— Estava esperando o convite. — falo.
Me levantei do banco e fiquei em pé em sua frente, ele esticou o corpo e colocou as mãos na minha cintura. Entrei no meio da arena dele e então o beijei. Deixei a sua lingua invadir a linha boca, com gosto de uísque e cigarro. Sinto suas mãos indo um pouco mais para baixo e me puxando mais ainda pra perto do seu corpo.
Depois do beijo ele ainda ficou com a mão no meu pescoço, e colocou a outra mão no meu rosto.
— Você é ainda mais gata de perto. — ele disse sorrido.
— Eu deixo você sozinha por 20 minutos e você já está atracada com um desconhecido. — Gabriela apareceu falando.
— Relaxa, foi só um beijo. — ele diz rindo — afinal eu nem perguntei o seu nome. — ele diz me encarando.
Gabi me puxa pela mão.
— É Beatriz. — falo.
— O meu é Carlos. — ele diz.
— Prazer em te conhecer Carlos. — falo e a Gabi sai me puxando pela mão pro meio das pessoas.
— Você beijou um cara que nem perguntou o seu nome. — ela disse brava.
— Relaxa, porque eu também não perguntei o dele. — digo.
— Não posso te deixar sozinha.
— Relaxa que eu não tô atrás de namorado.
— Por falar em namorado, aquele ali não é o teu ex? — Mariane diz.
Ela estava apontando pro Antônio, agarrado em uma loira de 1,60 de altura, aos beijos como se o mundo fosse acabar amanhã.
— Pelo amor de Deus, era isso que faltava. — falo e reviro os olhos.
— Vem, vamos pro outro lado. — Mariane diz e pega na minha mão.
Fomos pro outro lado da balada. Ficamos dançando juntas, até que eu vi o Carlos ir embora com uma loira. Em seguida vi o meu ex vindo na minha direção.
— Alerta de ex, alerta de ex. — falo e as meninas me encaram.
— O que? Na onde? — Gabi pergunta.
— Logo a frente. — falo tentando disfarçar.
— Estava demorando. — Mari diz e me olha.
— Oi meninas. — Antônio fala olhando pra Gabi e pra Mari.
— Oi. — ambas respondem.
— Oi Bea. — ele diz olhando pra mim.
— Beatriz, o que foi Antônio? — falo olhando pra ele.
— Calma, eu não tô aqui pra brigar, nem nada, só queria saber se a gente pode conversar. — ele diz em um tom calmo.
Eu bem sei o que ele quer.
— Não, balada não é lugar pra conversar. — falo.
— O que custa meo?
— Custa meu tempo e minha paciência. — respondo.
— Você é sempre assim comigo, eu tô tentando ser gente boa, tentando ser teu amigo e você vem com as quatro pedras nas mãos. — ele diz.
— Amigo? Fala sério, você me traiu com Satanás e o mundo e agora quer ser meu amigo, vai caçar o que fazer cara. — falo já um pouco mais brava.
As meninas me encaram, já que eu nunca fui de falar nada desse tipo, muito pelo contrário, eu sempre fui a mais calma do grupo.
— Tudo bem, já vi que não vai ter conversa com você. — ele diz e faz uma cara de decepção.
Ele se vira e sai andando.
— Isso, já vai tarde. Encosto. — falo.
É acho que a bebida que o Carlos me deu é realmente boa. Pena que ele foi embora com outra, senão eu iria lá agradecer ele.
— O que foi isso? — Gabi pergunta rindo.
— Nem eu sei. — falo rindo. — Acho que foi a bebida que eu tomei.
— Olha só o que o gin não faz. — Mari disse.
— Na verdade o Carlos me pagou um dos uísque mais caros daqui, e mais fortes também. — falei.
— Ata, agora sim tá explicado a coragem. — Gabi diz rindo.
Ficamos daquele lado da balada, dançando e se divertindo até o dia amanhecer, mas tínhamos que ir pra casa, porque nem só o de baladas vivemos.
Pedi um uber e fomos pra casa da Mariane, os pais dela não estavam em casa, estavam fazendo uma viagem.
Assim que chegamos tirei o salto e me joguei no sofá.
— Era disso que eu precisava. — falo.
Mariane faz o mesmo e senta na poltrona.
— Nossa, parece que eu estava carregando o peso do mundo nas costas. — ela diz e rimos.
— Nossa ainda bem que amanhã ainda é domingo e estamos de folga. — Gabi diz.
— Nem me fale, segunda estamos de volta para a luta.
Subimos para o quarto da Mariane, nos arrumamos pra dormir, arrumamos o quarto também, então cada uma deitou em um canto, me virei de lado, peguei no sono.