O cara misterioso da balada
Beatriz
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— Bom dia, o sol já nasceu lá na fazendinha. — Gabi me acorda cantando.
— Vai se f***r — falo e coloco o travesseiro na cabeça.
— Mais animação minha querida, hoje é domingo. — Gabi disse e se jogou em cima de mim.
— Amanhã e dia de trabalhar o nosso dia feliz foi ontem Gabriela. — Manu diz e arremessa um travesseiro nela.
Eu amo isso que temos, estamos todas na m***a. A vida adulta não tem nada de bonito como achávamos que tínhamos, não é divertida e interessante.
Na verdade a vida adulta é um tédio absoluto, ter que se m***r de segunda a sexta, as vezes até mesmo aos finais de semana. Viver de miojo é de salgados baratos fritos em óleo de procedência duvidosa.
Mas a vida com elas fica mais leve, feliz e completa, eu me sinto livre pra ser eu, sem ter medo de julgamento ou olhares tortos.
— Aí vamos tomar café, tô com fome. — Mari disse levantando da cama.
Mariane é filha de dois empresários do ramo de investimento empresarial. Os pais dela saem por todo país procurando empresas para ser sócios, ou seja, eles tem muito dinheiro, mas quase não ficam em casa. Mari foi praticamente criada por babás, nem mesmo as datas comemorativas seus pais estavam presentes.
Levantei do colchão jogado no chão e fui até a minha bolsa e peguei a minha escova de dente.
— Você pegou o número daquele gatinho que você estava beijando ontem? — Gabi perguntou ainda jogada no colchão.
— Na verdade não. — respondi.
— Deveria procurar ele no f*******:. — Mari disse do banheiro.
— Ele não tem cara de ter perfil no f*******: — falo e elas riram.
— Não mesmo. — Gabi diz. — Quem sabe em um site de s*********y. — elas caíram na risada.
— Para que ele não era tão velho assim. — falo.
— Foi um salto bem grande de Antônio pra... Como ele se chama mesmo? — Mari pergunta rindo.
— Carlos o nome dele. — falo rindo.
Arranquei a Mariane da pia do banheiro e fui escovar os meus dentes, ela estava lá fazendo o skin care dela.
Depois de fazer toda a higiene matinal fomos para a parte de baixo da casa dela, a única vantagem da vida adulta é quando estamos juntas, não tem ninguém pra nos dizer o que fazer. Há não ser os nossos chefes no trabalho, mas fora eles, agora estamos por nossa responsabilidade.
O que me assustou bem no começo quando minha mãe disse que iria cortar a minha mesada, ainda bem que eu juntei dinheiro, já que ser independente sempre foi o meu sonho. Até que se tornou o maior pesadelo.
— Aonde seus pais estão agora? — Gabi perguntou.
— Canadá, eles tem uma empresa e uma casa lá. — Mári respondeu.
— Deve ser demais lá. — falo.
— É sim, quem sabe um dia vamos nós três pra lá. — Mari diz.
— Ah nada que envolva avião, depois da viagem para a Disney de formatura, prometi pra mim mesma que nunca mais entraria em um avião. — Gabi disse e caímos na risada.
Como esquecer a melhor viagem de nossas vidas, três crianças deslumbradas com a Disney, sem entender que a gente não poderia ir nos brinquedos mais divertidos, por não ter dinheiro e nem altura suficiente.
— Para, aquilo foi só uma pequena turbulência. — falo rindo.
— Se aquilo foi pequeno, não quero presenciar uma grande. — Gabi disse nos fazendo rir outra vez.
Arrumamos as coisas e tomamos café,, no balcão mesmo. Depois de tirar ímpar ou par, eu perdi e tive que ir lavar a louça. Ficamos conversando e relembrando os tempos de adolescente, que nem faz tanto tempo assim, mas pra gente para ser uma eternidade desde que saímos do ensino médio.
— Vocês tem que ir mesmo? — Mari perguntou fazendo bico.
— Temos, amanhã e dia de esquentar a cabeça. — Gabi disse.
— Nos vemos amanhã na faculdade. — Mari disse pra ela.
— Tá bom. — Gabi disse.
— Nos vemos amanhã no trabalho. — ela diz pra mim sorrindo.
— Até amanhã. — falo.
Atravessamos a rua e entramos no carro da minha mãe que estava estacionado.
— Oi tia. — Mari disse e acenou pra minha mãe.
— Oi querida, como vai? — minha mãe diz sorrindo.
— Vou bem e você? — Mari pergunta.
— Bem. — minha mãe responde.
— Que bom tia, até uma outra hora. — Mari diz e acena.
— Até meu bem. — minha mãe diz.
Mari entrou na casa dela e minha mãe levou a Gabi pra casa dela e depois fomos pra casa. Tudo o que eu queria era um balde de pipoca e uns filmes para maratonar.
Vou direto pro chuveiro assim que chego em casa. Depois do banho vesti a primeira roupa que achei no guarda roupa. Fui até a cozinha e vi minha mãe sentada no sofá assistindo uma série de casos criminais.
Minha mãe é uma advogada pública, normalmente ela pega casos de defesa, quando alguém vai preso e não tem dinheiro pra pagar os advogados, ela trabalha com isso a anos, as vezes ela trabalha pra algumas empresas também.
— Como foi a noite ontem? — ela me perguntou.
— Foi divertida, sabe quem está lá? — falo e ela me encara.
— Quem? — ela pergunta.
— Antônio. — falo e ela me olha bem surpresa.
— Não era ele que ainda estava sofrendo com o término de vocês dois? — ela disse e fez cara f**a.
— Pois é, ele ainda estava beijando uma loira sem sal. — falei e revirei os olhos.
— Aposto que foi uma das quais ele traiu você.
— Não duvido que seja. Ele teve a coragem de ir até mim e perguntar se a gente podia conversar.
— Ele não fez isso. — ela disse incrédula.
— Ah, ele fez, mas eu não fui boba, disse pra ele que lá não era lugar de conversar.
— E o que ele disse? — ela perguntou.
— Disse que só queria ser meu amigo.
— Que cara i****a, e o que você disse?
— Disse que eu não estava afim de ser amiga de um cara que me traiu com Satanás e o mundo. — falei e ela riu.
— Você disse isso? — perguntou rindo.
— Falei, ele é um b****a, eu demorei mas percebi.
— É um grande b****a mesmo. — ela disse.
Eu poderia contar sobre o Carlos, mas achei melhor não, já que a minha mãe gosta de saber detalhes de tudo e eu não sabia absolutamente nada sobre ele, a não ser o seu nome, que ele pode ter mentido e que ele era um grande gato, mas que também era mais velho do que eu.
Não que a minha mãe tenha algum tipo de preconceito com isso, mas segundo ela, pessoas da minha idade tem mais compatibilidade com os meus planos de vida. Que se resumem em não viver um relacionamento, me formar e viver saindo pelo Brasil ser ter um teto sob a minha cabeça alfabetizando crianças.
Acho difícil alguém pensar que nem eu. Afinal todo mundo me acha doida, acham bonito o meu sonho, mas me questionam a todo tempo se é isso que eu quero mesmo e o que eu ganharia com isso.
Acho uma forma bem chata de invalidar o meu sonho e colocar preço em absolutamente tudo que envolva uma carreira. Nem todos se formam pelo dinheiro que sua profissão vai lhe dar. Vou me formar por amor, por saber que eu poderei mudar vidas e assim de alguma forma mudar a minha também.
Depois de fazer a minha pipoca, o que é super saudável, levando em consideração que é hora do café da tarde, porque eu tomei café da manhã no lugar do almoço e provavelmente eu vou jantar outra coisa nada saudável.
Fui pro meu quarto, liguei a minha tv que eu ainda nem terminei de pegar e que foi o melhor investimento do mundo, depois do meu crocs preto que eu uso todos os dias pra ir pra faculdade.
Acho que meu domingo vai ser assim, de filme e muita, muita preguiça.