Um dia de trabalho
João Carlos
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— O que foi que você tá aí com essa cara? — JP pergunta olhando pra mim.
Eu estava com a cabaça encostada na parede. Minha cabeça estava longe, pensando na garota de sábado. Do seu cheiro e jeito.
— Nada. — falo.
— As vezes parece que você se esquece somos gêmeos e da pra ver de longe que sua cabeça não está aqui. — ele disse e sentou na minha frente.
Acho que eu deveria ter absorvido esse i****a ainda na barriga.
— Tá pesando na sua ex noiva? — ele perguntou.
— Tá doido? — falei e ele riu.
— Se não é nela, então você conheceu alguém. O que foi que ela fez pra te deixar tão mexido assim? — ele questiona.
— Não tem ninguém mexido aqui. — falo e ele ri mais ainda.
— Então tá bom. — ele diz e ergue as duas mãos em sinal de rendição.
Ele foi pra mesa dele e eu fiquei lá mexendo no computador. Lembrando ainda daquela garota.
— Venham ver uma coisa. — Lucas disse abrindo a porta da sala rapidamente.
— Que susto cara. — JP disse.
— Venham. — ele disse outra vez.
— Tamo indo já. — disse.
Levantei da cadeira e fui atrás dele, JP fez o mesmo, fomos os três até o balcão vazio. Que não estava vazio, Moisés e meu pai estavam lá.
— O que foi de tão importante? — JP pergunta.
— Pode trazer. — Moisés diz pra um dos capatazes.
O cara trouxe uma mulher, eu não a conhecia, mas pela cara do JP ele sabia muito bem quem era.
— Reconhece ela JP? — meu pai pergunta.
— Reconheço, aonde vocês acharam essa v***a? — ele pergunta.
— Essa bela mulher estava um dos nossos postos de vigilância de espiã. — Moisés diz e a puxa pelo cabelo.
— O que vão fazer com ela? — pergunto.
— Põem ela na cabine, quero saber o que ela fez com a Sabrina. — JP diz.
— Pode me torturar, eu não vou te dizer nada. — ela diz.
JP caminhou até ela e pegou firme no seu rosto.
— Eu vou querer osso por osso do seu corpo, até você suplicar pra eu te m***r, e então você vai abrir a boca e dizer tudo o que eu quero saber, aí quem sabe eu te mate mais rápido. — JP diz.
Percebo o ódio no tom de sua voz, com razão, Sabrina é a mãe da sua filha Pietra que sumiu após dar a luz a menina em um hospital em outro país. JP foi de encontro as duas, já que a bebê havia nascido prematura, mas só tinha a bebê e um bilhete com o nome do JP dizendo que ela deveria ser entregue para ele.
Já fazem dois anos e ele ainda a procura, tenta saber se ela está viva, se existe um corpo para se enterrar ou apenas os ossos, e o motivo de tudo isso. Eu sei que ele vai morrer o mundo pra achar ela, ou saber o que aconteceu.
O capataz saiu arrastando a mulher pelo cabelo.
— Luc fica no meu lugar. — JP diz e tirou o seu terno e entregou pro meu pai.
— Tudo bem. — Lucas disse.
— Era só isso, já podemos voltar ao trabalho? — pergunto e meu pai faz que sim com a cabeça.
Me virei e fui andando em direção a minha sala. Entrei e me sentei na cadeira e voltei ao trabalho.
— Ainda bem que a cabine é a prova de som. — Luc disse.
— Ainda bem mesmo. — disse.
— Eu vi o ódio em seus olhos. — Luc disse
— Eu também ficaria assim em uma situação dessa. — falo e ele me olha.
— Dizem que os gêmeos mesmo quando idênticos tem personalidades diferentes, mas vocês dois são um erro na matrix.
— Fica quieto. — falo rindo.
Volto a pensar em sábado. Na garota e na sua boca, seu gosto e perfume. Decidi procurar por ela. Acessei meu i********: privado, que também não tem o meu nome e procurei seu nome.
Depois de alguns minutos procurando igual um i****a, achei. O seu perfil era aberto e bonito visualmente, ela tinha alguns destaques, vi todos. Não tinha muita coisa sobre ela lá, além de que ela é estudante de pedagogia e faz parte de um protejo chamado "leitura para todos".
Eu preciso saber mais dela e já sei quem pode me ajudar.
— Eu já volto. — falo e me levanto.
— Aonde tu vai? — Luc perguntou.
— Não faz pergunta i****a. — falo e ele deu risada.
— Não custava tentar. — ele disse.
Sai da minha sala, atravessei o grande salão, depois passei pelo salão de jogos e o quarto secreto. Entrei no escritório cibernético.
Aqui temos os melhores hackers trabalhando pra gente, se infiltrando em lugares que ninguém imagina que eles são capazes de estar.
— Cadê o Zeus? — pergunto pra Aurora que estava arrumando a sua mesa.
— Lá trás arrumando um computador. — ela respondeu.
— Valeu linda. — falo e ela mostrou o dedo do meio. — Lindo dedo, poderíamos usar pra outras coisas.
— Vai te f***r Joca. — ele diz e dá risada.
— Adoraria se você viesse junto. — disse rindo e fui até a sala dos fundos.
E lá estava ele mexendo em um computador todo concentrado. Zeus não é o seu nome de verdade, na verdade ninguém aqui sabe o nome dele, ele prefere manter a identidade dele em sigilo, o que é muito esperto da parte.
— Tá fingindo ser inteligente. — falo e ele me olha.
— Tá vivo, olha só. — Zeus diz e para o que estava fazendo.
— Tô te atrapalhando? — pergunto sorrindo.
— Tá, mas pode falar, o que precisa? — ele pergunta.
— Que você descubra mais dessa pessoa pra mim. — disse entreguei um papel com o nome da Beatriz e o nome do seu perfil do i********:.
— Bea — ele dia dizendo.
— Não fala esse nome em voz alta. — falo.
— Por acaso ela é perigosa? — ele perguntou sem entender.
— Não, isso é sobre trabalho, é apenas um favor pra mim. — falo e ele assente com a cabeça.
— Tudo bem, levo pra você no final do dia. — ele disse.
— Pode deixar pra amanhã. — falo.
— Tudo bem, você que manda. — ele diz.
— Valeu. — falo e saio da sala dele, passo pela Aurora e ela me encara rindo.
Voltei pra minha sala e me sentei.
— Seu pai foi embora tem uns 10 minutos acho engraçado que ele vai embora sempre nesse mesmo horário. — Luc disse.
— É o horário que a minha mãe sai para o trabalho, ele gosta de estar em casa antes dela sair. — falo e ele dá uma leve risada.
— Espero me casar e ser assim um dia. — ele falou.
— Você se casar? O coração amoleceu Luc? — disse rindo.
— Eu não tenho que ser que nem vocês que preferem viver a vida sozinho do que dar o braço a torcer que um amor as vezes pode valer a pena. — ele disse pra mim.
— Dinheiro e reconhecimento valem mais do que qualquer outra coisa, sem ele não passamos de um corpo descartável. — disse e ele n**a com a cabeça.
— Você está errado e sabe disso, talvez seja porque ainda não encontrou alguém que fez teu coração bater mais rápido. — ele disse e eu ri.
A algumas semanas atrás eu estava noivo. É falo no passado porque terminei o noivado e não me arrependo nenhum pouco, não era isso que eu queria pra minha vida, ainda mais com a garota que eu estava, ela não era a certa pra mim e eu era o errado pra ela, um ponto final foi melhor para ambos.
— Para de assistir filme romântico, tá mexendo com o seu cérebro e você não tem muito. — falo rindo.
Levantei da minha cadeira e peguei as minhas coisas, já estava no meu horário.
— Se você ver o JP, fala pra ele ir pra casa ficar com a filha dele. — falo.
— Pode deixar. — JP entra na sala.
Sua camiseta com sangue. Balanço a cabeça e saio da sala. Entrei no meu cargo e fui pra casa.