Capítulo 03

1424 Words
Um dia de trabalho João Carlos ___________ — O que foi que você tá aí com essa cara? — JP pergunta olhando pra mim. Eu estava com a cabaça encostada na parede. Minha cabeça estava longe, pensando na garota de sábado. Do seu cheiro e jeito. — Nada. — falo. — As vezes parece que você se esquece somos gêmeos e da pra ver de longe que sua cabeça não está aqui. — ele disse e sentou na minha frente. Acho que eu deveria ter absorvido esse i****a ainda na barriga. — Tá pesando na sua ex noiva? — ele perguntou. — Tá doido? — falei e ele riu. — Se não é nela, então você conheceu alguém. O que foi que ela fez pra te deixar tão mexido assim? — ele questiona. — Não tem ninguém mexido aqui. — falo e ele ri mais ainda. — Então tá bom. — ele diz e ergue as duas mãos em sinal de rendição. Ele foi pra mesa dele e eu fiquei lá mexendo no computador. Lembrando ainda daquela garota. — Venham ver uma coisa. — Lucas disse abrindo a porta da sala rapidamente. — Que susto cara. — JP disse. — Venham. — ele disse outra vez. — Tamo indo já. — disse. Levantei da cadeira e fui atrás dele, JP fez o mesmo, fomos os três até o balcão vazio. Que não estava vazio, Moisés e meu pai estavam lá. — O que foi de tão importante? — JP pergunta. — Pode trazer. — Moisés diz pra um dos capatazes. O cara trouxe uma mulher, eu não a conhecia, mas pela cara do JP ele sabia muito bem quem era. — Reconhece ela JP? — meu pai pergunta. — Reconheço, aonde vocês acharam essa v***a? — ele pergunta. — Essa bela mulher estava um dos nossos postos de vigilância de espiã. — Moisés diz e a puxa pelo cabelo. — O que vão fazer com ela? — pergunto. — Põem ela na cabine, quero saber o que ela fez com a Sabrina. — JP diz. — Pode me torturar, eu não vou te dizer nada. — ela diz. JP caminhou até ela e pegou firme no seu rosto. — Eu vou querer osso por osso do seu corpo, até você suplicar pra eu te m***r, e então você vai abrir a boca e dizer tudo o que eu quero saber, aí quem sabe eu te mate mais rápido. — JP diz. Percebo o ódio no tom de sua voz, com razão, Sabrina é a mãe da sua filha Pietra que sumiu após dar a luz a menina em um hospital em outro país. JP foi de encontro as duas, já que a bebê havia nascido prematura, mas só tinha a bebê e um bilhete com o nome do JP dizendo que ela deveria ser entregue para ele. Já fazem dois anos e ele ainda a procura, tenta saber se ela está viva, se existe um corpo para se enterrar ou apenas os ossos, e o motivo de tudo isso. Eu sei que ele vai morrer o mundo pra achar ela, ou saber o que aconteceu. O capataz saiu arrastando a mulher pelo cabelo. — Luc fica no meu lugar. — JP diz e tirou o seu terno e entregou pro meu pai. — Tudo bem. — Lucas disse. — Era só isso, já podemos voltar ao trabalho? — pergunto e meu pai faz que sim com a cabeça. Me virei e fui andando em direção a minha sala. Entrei e me sentei na cadeira e voltei ao trabalho. — Ainda bem que a cabine é a prova de som. — Luc disse. — Ainda bem mesmo. — disse. — Eu vi o ódio em seus olhos. — Luc disse — Eu também ficaria assim em uma situação dessa. — falo e ele me olha. — Dizem que os gêmeos mesmo quando idênticos tem personalidades diferentes, mas vocês dois são um erro na matrix. — Fica quieto. — falo rindo. Volto a pensar em sábado. Na garota e na sua boca, seu gosto e perfume. Decidi procurar por ela. Acessei meu i********: privado, que também não tem o meu nome e procurei seu nome. Depois de alguns minutos procurando igual um i****a, achei. O seu perfil era aberto e bonito visualmente, ela tinha alguns destaques, vi todos. Não tinha muita coisa sobre ela lá, além de que ela é estudante de pedagogia e faz parte de um protejo chamado "leitura para todos". Eu preciso saber mais dela e já sei quem pode me ajudar. — Eu já volto. — falo e me levanto. — Aonde tu vai? — Luc perguntou. — Não faz pergunta i****a. — falo e ele deu risada. — Não custava tentar. — ele disse. Sai da minha sala, atravessei o grande salão, depois passei pelo salão de jogos e o quarto secreto. Entrei no escritório cibernético. Aqui temos os melhores hackers trabalhando pra gente, se infiltrando em lugares que ninguém imagina que eles são capazes de estar. — Cadê o Zeus? — pergunto pra Aurora que estava arrumando a sua mesa. — Lá trás arrumando um computador. — ela respondeu. — Valeu linda. — falo e ela mostrou o dedo do meio. — Lindo dedo, poderíamos usar pra outras coisas. — Vai te f***r Joca. — ele diz e dá risada. — Adoraria se você viesse junto. — disse rindo e fui até a sala dos fundos. E lá estava ele mexendo em um computador todo concentrado. Zeus não é o seu nome de verdade, na verdade ninguém aqui sabe o nome dele, ele prefere manter a identidade dele em sigilo, o que é muito esperto da parte. — Tá fingindo ser inteligente. — falo e ele me olha. — Tá vivo, olha só. — Zeus diz e para o que estava fazendo. — Tô te atrapalhando? — pergunto sorrindo. — Tá, mas pode falar, o que precisa? — ele pergunta. — Que você descubra mais dessa pessoa pra mim. — disse entreguei um papel com o nome da Beatriz e o nome do seu perfil do i********:. — Bea — ele dia dizendo. — Não fala esse nome em voz alta. — falo. — Por acaso ela é perigosa? — ele perguntou sem entender. — Não, isso é sobre trabalho, é apenas um favor pra mim. — falo e ele assente com a cabeça. — Tudo bem, levo pra você no final do dia. — ele disse. — Pode deixar pra amanhã. — falo. — Tudo bem, você que manda. — ele diz. — Valeu. — falo e saio da sala dele, passo pela Aurora e ela me encara rindo. Voltei pra minha sala e me sentei. — Seu pai foi embora tem uns 10 minutos acho engraçado que ele vai embora sempre nesse mesmo horário. — Luc disse. — É o horário que a minha mãe sai para o trabalho, ele gosta de estar em casa antes dela sair. — falo e ele dá uma leve risada. — Espero me casar e ser assim um dia. — ele falou. — Você se casar? O coração amoleceu Luc? — disse rindo. — Eu não tenho que ser que nem vocês que preferem viver a vida sozinho do que dar o braço a torcer que um amor as vezes pode valer a pena. — ele disse pra mim. — Dinheiro e reconhecimento valem mais do que qualquer outra coisa, sem ele não passamos de um corpo descartável. — disse e ele n**a com a cabeça. — Você está errado e sabe disso, talvez seja porque ainda não encontrou alguém que fez teu coração bater mais rápido. — ele disse e eu ri. A algumas semanas atrás eu estava noivo. É falo no passado porque terminei o noivado e não me arrependo nenhum pouco, não era isso que eu queria pra minha vida, ainda mais com a garota que eu estava, ela não era a certa pra mim e eu era o errado pra ela, um ponto final foi melhor para ambos. — Para de assistir filme romântico, tá mexendo com o seu cérebro e você não tem muito. — falo rindo. Levantei da minha cadeira e peguei as minhas coisas, já estava no meu horário. — Se você ver o JP, fala pra ele ir pra casa ficar com a filha dele. — falo. — Pode deixar. — JP entra na sala. Sua camiseta com sangue. Balanço a cabeça e saio da sala. Entrei no meu cargo e fui pra casa.
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