Tito . . .
Essa garota vai ser o motivo do meu infarto, irmão, papo reto. A Rayssa vai me matar, cara, tô falando... vou infartar com essa p***a agindo desse jeito.
Olho pra aquela filha da p**a rebolando a b***a, descendo até o chão, nem aí pra nada, nem imaginando o efeito que tá causando no meu p*u, que tá duro dentro da calça. Tô parecendo um adolescente com a p***a de uma ereção por causa de uma menina que nem saiu das fraldas ainda.
Nunca olhei pra Rayssa com outros olhos. Vi essa pirralha nascer, peguei no colo quando era só uma bebê toda catarrenta, pô. Vi a garota crescer comendo meleca... e agora tô olhando com maldade pra ela? Não, irmão. Essa p***a é errada pra c*****o. Mas não é de hoje que tô sentindo umas paradas estranhas quando ela chega perto. Meu corpo todo arrepia e sente uma necessidade fudida dela. Sinto um frenesi no corpo quando ela me abraça ou me olha sorrindo, com aquela carinha de anjinha safada.
O pior é que tô ligado que ela também tá na intenção. Tá na maldade comigo já tem uma cota. Não é papo de agora, é desde criança. Mas nunca passou pela minha cabeça, achei que era aquelas paixonites passageiras, que ela ia esquecer rápido. Mas a filha da p**a não esqueceu. E parece que piorou, porque agora tenho que lidar com essa diaba me provocando 24 por 24. Tô me segurando ao máximo, irmão. Até evitar ficar a sós com ela eu tô evitando. Tudo em nome da amizade que tenho com o pai dela. O cara é meu irmão e meu melhor amigo. Eu não posso comer a filha dele, pô.
Levo a cerveja aos lábios e tomo, sentindo o gosto amargo na boca. Passo a língua pelos lábios e olho de novo na direção da diabinha, que agora parou de dançar e tá rindo, girando a Rafaela. Rayssa agacha e fala alguma coisa no ouvido da Rafinha, que ri, assente e corre em direção ao RD. Rayssa levanta sorrindo e, quando vira o rosto pro lado, os olhos dela batem direto com os meus, fazendo o sorriso vacilar na hora.
Sorrio de lado e levanto a latinha de cerveja em cumprimento. Rayssa só balança a cabeça pra mim e vira pro lado, voltando a dançar com a prima.
Domingou, e nós tá como? Curtindo um churrasquinho na casa do mano FP, em comemoração ao chá de bebê da filha dele. Lugar tá lotado, e eu nem curto muito isso. Sou mais ficar no meu canto, curtindo minha paz e aproveitando minha onda.
Não gosto de me misturar, tá ligado? Gosto de observar geral de longe, pegando a maldade de muitos. Só fico no meio dos meus de verdade, que são só dois: mano RD, que é meu irmão, fui criado junto, mato e morro por esse fudido do c*****o. E o mano Toddy, que é chatinho pra c*****o, mas gosto de graça do menor. É novo, mas já tem visão e papo daora. Os que confio de olhos fechados são só esses dois mesmo. O resto é sempre olho aberto e pouco papo.
Não entrei no crime agora. Se tô aqui até hoje, como dono de uma das maiores favelas de SG, não é à toa, pô. Não nasci ontem. Sou macaco velho nesse mundo e já vi muito moleque emocionado morrer nas minhas mãos tentando roubar meu lugar e tudo que conquistei. n**o acha que crime é fácil, que é só entrar e no dia seguinte tá rico. Mas não é assim não, irmão. Por isso muito moleque morre hoje em dia. Entra achando que é um morango, docinho, facinho, mas não é. Não tem nada de fácil em portar um fuzil e meter a cara contra os alemão. Não tem nada de fácil em pagar com a vida o preço de se envolver no tráfico.
Crime não é bombom, e nunca vai ser.
Claro que tem seus privilégios. Mas aí, não vale todo esforço e risco. Eu tô porque gosto mesmo. Gosto do dinheiro fácil, da adrenalina que é correr o risco de tomar uma bala a qualquer momento. É coisa de louco, irmão. Boto fé que é o que nasci pra fazer.
Não me vejo como advogado ou atrás de uma mesa de escritório obedecendo chefe p*u no cu. Não. Nasci pra ser chefe, pô. Pra comandar minha favela, ser o rei da p***a toda. É o que eu sou, e é o que eu gosto.
Não duraria um dia como cidadão de “bem”, trabalhando pro sistema fudido que não liga pra ninguém e só olha pro próprio r**o enquanto a favela se fode. Não. Eu nasci pra matar esses arrombados, não pra me tornar um deles.
Teve uma época, quando era moleque, até tentei. Fazia uns b***s, comecei a ir pra escola direitinho, foquei pra c*****o em ser um cidadão de bem. Mas quando os filhos da p**a dos cana me pegaram na rua e me meteram a porrada só por eu ser morador de favela, ali eu vi: não tem lugar pra mim naquele sistema corrupto.
Eles dizem que ajudam e defendem morador de comunidade. Mas, na real, quando passam por nós na rua, viram a cara e quase cospem com nojo. Quando chegam na favela é invadindo, atirando, sem saber pra onde vai o tiro. Matam inocente e jogam a culpa no tráfico. Isso não é pra mim. Nasci pra metralhar esse sistema, e se depender de mim, vai cair.
Percebo quando a Lorena se aproxima e senta no meu colo, beijando meu pescoço e se esfregando em mim, fazendo meu p*u endurecer por baixo da bermuda. Sorrio pra ela e dou um tapa na b***a, e ela choraminga no meu ouvido pedindo mais. Safada do c*****o.
Puxo um baseado do bolso, pego o isqueiro, acendo, trago e solto a fumaça bem na cara dela — porque sei que ela odeia. Dito e feito: começa a reclamar. Levo a mão até a b***a dela, aperto forte e na hora ela para de reclamar, gemendo baixinho no meu ouvido.
Tito: — p**a do c*****o — murmuro rouco, ouvindo a p*****a sorrir e assentir.
Minha história com a Lorena é coisa de doido. Conheci ela numa viagem pra Angra dos Reis. Bati o olho nela numa festa e já botei no meu nome. Fiquei com ela por uma semana e depois voltei pra casa. Não demorou, a p*****a apareceu aqui e não saiu mais. Tá aqui até hoje. Estamos juntos faz uns cinco anos, eu acho.
Já passou maus bocados por minha causa. Até apanhar de polícia ela apanhou. Mas quer saber? Nunca senti amor por ela. Paixão, sim. Até porque não sou de pedra, pô. Mas amor? Não. Hoje só tô com ela por comodidade e gratidão. Por tudo que fez por mim e aguentou ao meu lado. Mas nunca foi amor. E nunca vai ser.
Lorena: — Vamo pra casa, hein, amor? Fazer aquele amorzinho gostoso e depois ficar juntinhos? — Beija o canto da minha boca e me olha com carinha de p**a safada.
Mas só n**o com a cabeça. Ela bufa no meu colo.
Lorena: — Aff, Tito, tu nunca faz o que eu quero!
Tito: — Ir embora pra quê, c*****o? Acabamo de chegar nessa p***a! E tu implorou pra c*****o pra vir. Eu nem queria, falei pra nós ficar em casa. Mas tu ficou de fogo no cu e quis vir. Então agora vai ficar até o final nessa p***a, tomar no cu! — Falei curto e grosso. Já me irritei logo. Encheu minha cabeça querendo vir, pra quando chega aqui querer ir embora? Tá maluca? Sou trouxa dessa filha da p**a não. Implorou pra vir, agora vai ficar até o final.
Lorena ficou um tempão enchendo minha paciência, tirando o pouco que ainda tenho. Essa mulher não me dá paz, irmão. Ih, chata pra c*****o.
Tito: — Ala, até fiquei bolado nesse c*****o. Tomar no cu também. Tô cheio de ódio da tua cara, Lorena. — Traguei o baseado e levantei da cadeira puto, me afastando daquela desgraçada pra não fazer merda. Tenho pavio curto e pouca paciência pra mulher perturbando minha cabeça.
Alguns caras vêm me cumprimentar e forçam simpatia quando passo por eles, mas só ignoro. Deixo falando sozinho. Não tô afim de ninguém babando meu ovo nessa p***a.
Me aproximo do parapeito da laje, me debruço e fico ali, fumando meu baseado e admirando a vista do meu morro. Fico na minha até sentir uma presença do lado e uma respiração no meu ouvido que me arrepia inteiro.
Rayssa: — Problemas no paraíso? — sussurra no pé do meu ouvido, e eu viro rápido na direção dela. Ela tá com um sorrisinho safado nos lábios e a cabecinha jogada pro lado.