Malu.
Era de manhã cedo. Passei a madrugada como todas as outras dessa semana, eu e meu pai fazendo lanche da madrugada.
Eu não fazia ideia de como seria morar com a minha e deixar o meu pai.
Está sendo estranho.
Já chorei tanto.
Tipo... Era isso que eu queria... Mas não desse jeito... Tem uma mulher atrás de mim, preciso pensar que é uma pessoa qualquer.
Mas eu queria vim dormir aqui e voltar pra casa do meu pai, por que é lá que eu moro, é lá que estão todas as minhas coisas.
Ouvi um barulho no corredor e em poucos segundos a porta foi aberta... Aquele rosto.
Era a minha mãe.
- bom dia meu amor. - ela entrou e fechou a porta e eu olhei pra ela me sentando a cama.
- bom dia mãe. - sorri, como era bom dizer isso fora da minha cabeça.
Ela veio até mim, se sentou na cama virada pra mim e tocou minhas pernas.
- esperei tanto por isso, assim como Maria... Esperei tanto por vocês. - sorri feliz. - e sei que é apegada com o seu pai, admiro isso muito, não vou te tirar dele tá bom? - deu carinho no meu rosto e concordei, ficando triste. - tudo bem? - concordei fraquinho.
- é que... Quando eu saí daquele lugar... A primeira pessoa que vi foi Maria, Henrique... E logo depois fui morar com o meu pai... Ele passou noites acordado cuidando de mim por que eu tinha pesadelos horríveis... Eu achava que eu ia acordar com alguém... Em cima de mim. - minha mãe fez uma cara e me abraçou logo depois, abracei de volta, forte.
- eu sinto muito por tudo isso. - não saímos do abraço. - a culpa não é da sua vó. - saímos do abraço. - sua vó fez essas dívidas antes que eu tivesse idade pra ter filhos... Mas ela quem procurou por isso... E vocês cresceram longe, em um lugar h******l. - respirei fundo. - você comia? Você tinha onde dormir? - olhei pra baixo.
- não podíamos comer, só a noite... Quando... Aqueles homens...
- tudo bem... Não precisa dizer. - sorriu pra mim. - e... Mari era como? - ela sorria mas com os olhos tristes.
- era uma mistura de mim e Maria, mas ela era muito mais durona e... A favorita daquela mulher. - minha mãe se levantou da cama com a mão no peito, parecia angustiada.
- Maria me falou isso... - fiquei m*l.
- saiba que ela sempre quis te conhecer e te imaginava loira mas eu convenci ela de que você não era. - ela me olhou e sorriu.
- amo vocês, amo a Mari, amo Maria... Amo você meu amor. - se sentou na minha frente outra vez e me deu carinho. - não sou a melhor mãe do mundo, eu tento... Mais uma coisa você pode ter toda certeza... Eu sempre vou estar do lado de vocês. - agora quem a abraçou fui eu, forte.
- você é a melhor mãe do mundo, nunca duvide disso. - ela me deu um beijo e logo a gente levantou.
Ela me ajudou a escolher uma roupa, falando que queria acordar Maria mas que talvez o Henrique estivesse cansado e eu falei que ele trabalha muito.
Minha mãe disse que o ama por cuidar tão bem da Maria e eu falei que eles são muito fofos juntos.
Aí descemos e minha mãe pediu pra fazerem café da manhã bem caprichado com as minhas torradas e geleia de morango e eu ri.
Era 08:30.
Conheci Adam, ele é o mordomo da casa e disse estar tão fascinado como eu e Maria somos iguais mas ao mesmo tempo cada uma tem um jeitinho diferente.
Conheci a casa e decorei ela um pouco na minha cabeça. Tinha uma área de piscina e churrasqueira e minha mãe disse que um dia estaríamos todos nós reunidos aqui, ela, eu, Maria, Henrique, meu pai e Matheus com Pri e seu filho.
Em dois meses terei um sobrinho e minha mãe está animada, ela diz que precisa falar com Matheus em menos de dois meses, por que o seu medo é que ele a rejeite e minha mãe disse triste que não é isso que ela quer.
Ela é tão perfeita... O jeito como anda... Como diz... Como fala!
Eu tenho uma mãe, uau!
Isso é surreal... É... Tipo... Eu estive dentro do seu útero e ficamos nove meses juntinhas, Mari estava lá e Maria também.
Minha mãe nos carregava, só quatro estivemos juntas durante nove meses... Mesmo que dentro da barriga.
É demais não é?!
Tenho uma mãe!
[...]
Maria Clara.
Abro os olhos me espreguiçando e dou de cara com daddy me olhando.
- bom dia. - disse ele me olhando com um sorriso.
- bom dia.. você tava me vigiando? - riu.
- a uns 20 minutos. - fiquei tímida mas ele me agarrou e me beijou.
Após um tempo a gente se levantou.
Daddy me fez usar calça, não estava calor. Coloquei uma calça de moletom e uma blusa regata.
Coloquei meias e meu chinelo holográfico!
Daddy a mesma coisa... Ficava tão gostoso mas ele colocou camisa por não estar em casa.
Aí escovamos os dentes e descemos.
Malu e minha mãe já estavam lá e fiquei tão feliz.
De repente tudo estava mais colorido.
Ficamos na sala por um bom tempo até irmos tomar café. Malu me disse que amou a nossa casa e perguntou se podíamos estudar juntas depois e eu topei.
Já minha mãe tinha trabalho assim como daddy.
[...]
Daddy já havia ido embora, conversando muito e brincamos... Não brincadeiras como s**o.
Fiquei triste também.
Mais ele me fez cócegas, me mimou... Ele até me ninou quando eu fiquei carente e pedi colhinho.
Daddy me ama tanto e eu o amo mais ainda e não vejo a hora de estar em casa com as nossas rotinas diárias.
Mas agora eu estava do lado de fora da casa, sentada no solzinho forte mas gelado, tava frio.
Malu estava nas espreguiçadeiras do lado da minha, lendo um livro de medicina enquanto tinha um caderno e uma caneta do lado.
Ser médica é muito lindo... Mas e se alguém chegasse no pronto socorro com ferimentos de um tigre? Todo rasgado... Ou a cabeça aberta depois de cair de uma montanha?
E se você sair de uma cirurgia e vier a hora de almoço?... Carne m*l passada...
Eu nunca seria médica.
E... Se você fosse médica pediatra e uma criança morresse em seus braços?
Ah meu deus.
- Malu.
- hum? - ela lia quando olhei pra ela.
- você teria coragem de ver alguém aberto em uma cama? - me olhou e concordou sem hesitar.
- sim, e tentaria de tudo pra salvar a vida daquela pessoa. - penso, ficando triste.
- e se fosse um bebezinho? - ela suspirou e pensou.
- pra isso, na medicina, existe um tipo de treinamento pra gente não se apegar aos pacientes. E não pode, se o médico tiver sentimentos pelo paciente e demonstrar, ele não pode entrar na cirurgia ou ficar dentro do caso. - penso.
- e se for alguém da família que você precisa abrir? - ela riu.
- não pode também, médicos não podem cuidar de familiares. - penso.
- eu não quero ser médica. - riu.
- tudo bem, você pode ser oque quiser.
- mais oque você vai fazer no hospital? - me sentei de lado, encolhendo as pernas e olhando pra ela.
- eu vou ser cirurgiã cardiotorácica. - fiquei confusa. - é basicamente alguém que cuida de toda essa parte aqui. - mostrou, era o peito todo e barriga.
- meu deus! - riu. - e se alguém chegar com o... Estômago pra fora?! - ela riu outra vez.
- entro em cirurgia com mais médicos especialistas, limpo os órgão, se eles estiverem inchados é necessário esperar desinchar antes da cirurgia e depois colocamos ele calmamente dentro do corpo. Limpando sempre e usando a ajuda de gases para conter o excesso de líquidos que eles podem soltar, se não o corpo incha e isso pode ser r**m. - eu não entendi nada. - é fácil olha. - me mostrou o livro grosso dela. - esses são pulmões, fígado, rim, estômago... Os órgãos. - concordei. - você não pode colocar em outra ordem, e precisa ter muito cuidado. - na outra folha estava uma imagem de uma boneco com os órgãos pra fora, logo depois os órgãos no lugar explicando.
- você ainda tem 16 anos. - olhei pra ela e ela riu.
- mais é bom começar cedo. - penso.
- eu não sei oque quero fazer, e preciso começar cedo. - me desesperei.
- calma, medicina precisa começar cedo, por que são anos de faculdade e prática... Dependendo do que você quer, você não precisa começar tão cedo assim. - penso.
- é muita coisa pra pensar.
- oque você mais gosta? Tipo... A sua maior paixão que você faz todo dia e nunca se cansa. - penso.
- ler... Eu nunca me canso e consigo fazer isso mesmo com barulho.
- você pode ser escritora, ou trabalhar em uma editora... Ser jornalista... Repórter... Editar colunas... Notícias... Criar os textos que os apresentadores de tv irão ler e falar... - refleti. - tem muitas coisas.
- esses dias eu vi um filme que a mulher era advogada, mais ela defendia homens m*l. - Malu pensou.
- advogada criminalista? - concordei. - é meio... Perigoso né? - eu não havia pensado nisso.
- você acha? - concordou fraquinho.
- é... Por que tipo... Se você não conseguir defende-lo e ele for barra pesada... Corre o risco dele... Te machucar ou mandarem. - Malu fez uma cara não querendo dizer aquilo. - mais você tem o direito de aceitar ou não o caso, então se você ver que ele é m*l, você diz que não pode ou passa pra outra pessoa. - penso.
- isso da dinheiro? - riu.
- Maria, tudo da dinheiro. - voltou pro seu livro e refleti tanto.
Oque eu quero ser?
Alguém como eu... Que tem infantilismo.
- ah, Cheli perguntou de você. - falou olhando pro seu livro.
- eu?
- é, o jogo foi adiado por que CD quebrou o braço.
- oque? Como? - deu de ombros.
- ah não sei, parece que ele e Braian estava brigando no segundo andar de terceiro prédio, Braian empurrou ele escadas a baixo. - abri a boca chocada. - ele desmaiou e ninguém percebeu que o braço dele tava quebrado até ele estar consciente no hospital... Aí foi um tumulto por que o pai dele ficou muito bravo que não fizeram uma tomografia ou um raio-x. - nossa. - é por motivos assim que preciso ser médica, alguns médicos se formam em medicina por que é chique, pra dar orgulho ou se achar. Hoje em dia é difícil achar alguém que queira fazer medicina por paixão. - disse negando e bufando.
- mais... O jogo é quando?
- bom, já que o treinador é uma cadelinha do CD. - ri. - palavras da própria Cheli que tava puta... CD tem três meses com o gesso e o campeonato da Cheli é... Acho que no sábado que vem. - engoli em seco. - oque foi?
- Cheli e eu fizemos um acordo... Eu participo do campeonato e do time das cheelearders no próximo jogo, e ela e CD me deixem e em paz de vez, eu, você, Pedrinho, Becca e Karla. - Malu ficou me olhando.
- Maria, você precisa fazer ginástica artística pra saber dançar como elas, são muitos passos.
- eu já fiz.
- ah... Mais precisa de meses de prática pra ir a um campeonato. - é, isso é. - você poderia estragar a coreografia toda com um passo errado e isso só seria r**m pra você, se Cheli ficasse p**a com isso sim. - penso. - e... Aqueles dois... Eu quase virei filha única de vez Maria. - suspirei. - eu não te conhecia mais e se eu não conhecesse mesmo?! - verdade. - não fica perto, eles não são alguém do bem.
- eu sei.
- então não dá bola. Ela não merece a sua ajuda e outra... Tem milhões de meninas naquela escola... Cópias de Cheli... Cópias negras, brancas, loiras, ruivas... Todas querem ser Cheli e começam imitando aquela mecha azul do cabelo dela.
- tá azul? - concordou.
- aham, azul marinho que no loiro apareceu bem mas nos cabelos pretos das outras meninas não aparece muito.
- elas deveriam ser elas mesmas.
- exato, fazerem o próprio padrão ao invés de seguir um chamado Micheli.
Fiquei quieta após Malu dizer isso, ela voltou pro seu livro e eu fechei o meu.
Uma das empregadas veio até nós, que não gosto de chamar assim mas elas mesmas dizem ser.
Hoje quando daddy foi tomar banho, eu fiquei no quarto esperando e uma delas entrou pra colocar toalhas limpas lá. Perguntei o seu nome e ela disse e logo depois perguntei se eu podia chama-la assim e ela disse que tudo bem, que era "a empregada que limpa".
Como se fosse assim que eu deveria me referir a ela.
Eu até tentei dizer que ela na verdade era a "ajudante que limpa", mas ela não gostou também.
Mais né...
Nunca vou falar com desrespeito.
Mas... Uma das ajudantes veio até nós enquanto Malu estudava e eu olhava pra água na piscina, ela deixou um prato com salaminho, queijo e presunto e cubinhos e pepino de dois tipos. Além de refrigerante.
Agradecemos claro e Malu disse que foi ela que pediu pra gente, desse jeitinho como ela come com o nosso pai.
Ah bom, por que tinha pepino em conserva e pepino normal, aqueles pra colocar na salada.
Mas estava tudo tão bom, Malu ficou triste, era o prato das 14h que ela e papai comiam enquanto liam o livro e jornal das 14h.
Não sou taaaaao apegada com o nosso pai como Malu é, então não entendo completamente oque ela sente ficando longe dele.
Até por que por anos o meu porto seguro foi daddy e ainda é, e com Malu é o nosso pai, por que ela passa mais tempo com ele.
Eu entendo como é a sensação por que fico longe do daddy, só não sinto o mesmo que Malu.
Mas comemos, Malu continuava estudando, olhando pra aquelas figuras de desenho que representavam uma pessoa aberta em cirurgia.
Fora os tipos sanguíneos com vários tons de vermelho.
Tinha cérebro!
E a figura era de verdade!
- eca Malu. - eu tentava não olhar mas estávamos virada uma pra outra e a mesinha era baixa a nossa frente. O livro estava no colo da Malu mas ele estava meio que caindo e eu via tudo.
Ela ajeitou e riu e decidiu fecha-lo.
- desculpa, é um vício. O pai disse que eu sou tipo aquelas pessoas viciadas em algo.
- eu sou viciada em pipi. - Malu arregalou os olhos.
- Maria!
- ué, você tá vendo foto de cérebro. - riu.
- tem um pênis aqui. - meus olhos brilharam.
- deixa eu ver, deixa eu ver. - fiquei inquieta e ela riu.
Malu me mostrou, era de desenho mas muito bem desenhado.
- tem o normal mas eu não lembro que página é, ainda não cheguei lá mas eu sei que tem. Se não tá nesse livro tá no outro.
- uau. - peguei o livro.
A primeira figura era um pipi normal, depois um pipi com várias camadas do lado dele mostrando como é por dentro, depois um pipi com veias... Cada uma explicado com uma setinha que ia pra uma caixinha de palavras.
É bom aprender sobre um pênis, eu amo pênis.
- Malu.
- hum? - disse de boa cheia.
- você... E Gabriel.. - ela parou de mastigar ainda com queijo na boca e ri.
- n.. ao. - ri e ela engoliu. - só foi um encontro ao cinema e só rolou um selinho... Na hora de ir embora... Gabriel é o tipo que gosta de ir com calma. - ela sorriu fraquinho.
- esses valem a pena, daddy e eu só transamos quando eu estava realmente pronta, dois anos depois que a gente se conheceu... Não... A gente se conheceu quando eu tinha 11 e duas semanas depois eu fiz 12... Sei lá, a gente transou quando eu tinha 14.
- e ele... Esperou? Quer dizer... Homem não espera. - ri, entregando o livro pra ela que fechou.
- a gente... Fazia sabe... De ficar se esfregando ou... Chupando. - Malu fez uma cara e ri. - para, você tem um livro que tem figuras nojentas. - rimos.
- é que... Henrique é tipo um irmão. - aaaah. - eu não consigo imaginar e quando eu imagino é estranho... Você é pequena e ele enorme. - corei e sorri.
- bem enorme.
- Maria! - rimos.
- tá bom, parei. - ela riu e peguei outro salaminho.
- eu vi... Porno... É agoniante. - fiquei séria. - o buraquinho que temos... E o tamanho daquilo..
- Malu... Esperei dois anos por que no primeiro ano eu tinha 12, e daddy era adulto e ele sempre achou que ia acontecer algo e eu nem menstruava... Depois eu fiz 13 e menstruei e daddy disse que iríamos fazer quando eu tivesse pronta... E a gente teve muiiiitas tentativas que daddy estava super afim e eu perdia a vontade e começava a chorar... Sabe oque ele fazia? - negou prestando atenção. - me abraçava e ria dizendo que amanhã a gente tentava de novo, e chegava amanhã, a gente tentava e daddy me dava carinho quando eu não conseguia e dizia que teríamos muito tempo pra isso e que tava tudo bem...
- é que... Toda vez que fico menstruada dói tanto quando sai algo... Tipo, mais grosso, eu sei oque é mas só dói quando sai algo grosso mesmo. - concordei entendendo. - eu já tentei colocar um dedo lá dentro quando me... Masturbei... E dói tanto.. - Malu começou a chorar do nada e eu tentei entender até lembrar.
Ela tinha 5 anos.
E ele 47.
Fui até ela, me sentando do seu lado e abraçando, Malu deitou a cabeça no meu colo e dei carinho imaginando como deve ter sido h******l.
Não deveríamos ter tocado nesse assunto, eu me esqueço.
- senhoritas... Tudo bem? - concordei pro segurança de terno, óculos e algo na cintura.
- tá sim, você pode ficar só um pouquinho mais pra lá? - concordou e sorri. - Malu..
- com uma... Uma só mão ele... Ele seguro os meus... Os meus dois bracinhos. - tentei não imaginar mas meus olhos se encheram de lágrimas. - eu era... Do tamanho.. do braço dele todo e ele... Ele ficou... Em cima de mim. - mexi o pé tentando não pensar.
- Malu... Agora você tá em segurança.
- eu sei... Mais... Eu nunca vou conseguir. - voltou a chorar.
- daddy disse que as meninas não são obrigadas a perder a virgindade a com 15, 16, 17, 18 anos. Daddy tinha uma amiga na faculdade que era de uma religião diferente e os pais dela diziam que ela só iria poder ter relações sexuais com 28 anos e ela nem precisaria casar pra isso, poderia ser com quem ela quisesse. - Malu riu fraquinho. - é sério. - ri também. - acho que o segredo é... É estranho dizer isso mais... Você precisa sentir muito tesão... Aí você tenta sozinha... Você já... Se masturbou? - ela se sentou e me olhou.
- já mais... Nunca chego ao fim.
- bom... Tenta... E vai se acostumando. É óbvio que o Gabriel vai entender e se ele não entender e terminar, ótimo, por que daí você vai estar livre da cobrança de que "preciso dar pra ele por que ele tem necessidades sexuais". - ela sorriu. - s**o é bom sabia? Muiiito e se masturbar também... E um dia você vai estar pronta e se tudo der certo... Todos aqueles homens estaram na cadeia preso e sabe oque é melhor?... E pior por que é f**o desejar m*l. - negou. - os presos sempre sabem o motivo do próximo preso que entra na cadeia... Quando saberem que ele já estuprou um menor, vão fazer o mesmo com ele... Malu você vai superar e se isso não acontecer, lembre-se que a sua consciência está limpa e que você nunca fez nada de errado, era só uma criança inocente. - ela me abraçou. - e se eu falei alguma besteira me desculpa. - ela riu.
- você... Tem a mente inocente.
- todo mundo diz assim. - fiquei triste e ela me soltou.
- não, Maria, isso é bom... Bom pra psicologia... Bom pra... Palestras... Algo assim... Bom pra uma coluna de notícias... Você tem um talento... Você se expressa bem, se achar palavras mais profundas terá um grande sucesso... Pode escrever um livro de auto ajuda... Eu não sei, mais amo você. - sorri e a gente se abraçou outra vez. Seus abraços eram bons.
Eu gosto de falar.
- mais... Mudando de assunto. - me soltou e limpou o rosto. - estamos aqui por que aquela mulher tá atrás da gente né? - concordei fraquinho. - ela nunca gostou de mim, ela odiava ver eu e a Mari juntas... Se ela me encontrar, vai me torturar tanto. - fiquei confusa e comecei a negar.
- oque? Não, Malu não. - digo negando e a tocando. - nossa mãe tá protegendo a gente, olha quantos seguranças tem na nossa casa... Isso não vai acontecer. - ela suspirou.
- meu sonho é entrar em Yale, fazer medicina, ser médica... Eu quero isso... Eu quero ser alguém na vida... Eu quero casar com o Gabriel talvez... Sei lá... Ter três filhos, um menino e duas meninas, nessa ordem... Eu... Quero ter um futuro Mah. - algumas lágrimas saíram de seus olhos. - não quero voltar pra um porão, me arrumar às 20h, ir pra sala de jantar e ficar no canto dela em pé enquanto todos aqueles homem comem e riem, e depois ser escolhida por um deles, subir pra um quarto... Aquilo tudo... O cheiro de charuto caro e bebida forte... O anel de casamento no dedo e provavelmente pai de família... - Malu entrou em desespero.
- Malu.. - estava tudo tão bem.
- ela vai.. vai me bater no rosto e me fazer obedecer... Vai dizer pra eu ficar longe da Mari... Ah meu deus a Mari tá lá.. - Malu se levantou e fiz o mesmo.
- Malu... - eu não sabia oque fazer, comecei a chorar com medo.
- ela tá aqui não tá? - neguei tentando segurar ela mas ela tremia.
Ela estava bem a 20 segundos.
- eu quero o meu pai, quero o meu pai Maria, cadê o meu pai... Eu quero o meu pai!
Comecei a chorar.
[...]
Eu soluçava, perto do sofá olhando pra eles.
- vem cá. - me chamou com a mão e eu fui, ainda soluçando e sentindo meus olhos arderem. - tá tudo bem.
Era o meu pai, que após toda a confusão com a Malu, teve que vim por que ela tava começando a gritar.
Eu nunca vi aquilo.
Malu se debatia quando alguém tentava chegar perto, ela me empurrou bem forte e eu quase caí no chão.
Ela tremia, gritava, ninguém podia chegar perto e quando ela enfraqueceu e se cansou, após a minha mãe chegar e dizer que o nosso pai tava vindo, Malu começou a dizer em tom normal e com medo que não queria que aquela mulher encontrasse ela.
- agora tá tudo bem. - Malu estava deitada no peito do meu pai no sofá e fiz o mesmo, olhando pra ela que dormia.
- isso vai acontecer todos os dias? - olhei pro meu pai e ele sorriu fraco.
- isso nunca aconteceu... Talvez demore um tempinho pra ela se sentir bem e confiável, nos primeiros dias ela tinha crises mas não assim... Ela só não conseguia dormir ou começava a chorar. - olhei pra Malu outra vez, ela soluçava dormindo e seu rosto estava vermelho.
- como ela tá? - minha mãe veio até a gente e se sentou só lado da Malu, dando carinho nela. - como você tá filha? - me deu carinho também.
- eu tô bem... Com medo.
- não precisa ter medo, é só questão de paciência. - disse pra mim e concordei fraquinho.
- acho que ela tá começando a ficar com febre. - disse o meu pai.
- deixa ela deitada aqui, vamos conversar? - foi uma sensação muito boa ouvir e ver aquilo... Os olhos deles se encontraram e ficaram até o meu pai resolver dizer algo.
Aí ele deitou Malu no sofá com a ajuda da minha mãe e minha mãe disse pra eu cuidar dela ou subir, que agora tava tudo bem.
Mais fiquei ali, por que eles iam conversar e daddy disse que quando dois adultos querem conversar e saem de perto, a gente não pode ir junto então fiquei.
A blusa da Malu tava levantada...
Tinha uma enorme cicatriz ali.
Tipo... Ahn!
Coloquei o dedo ali, enfiando ele na sua pele e não estava vazio, mais eu não sentia nada... Como se ela não tivesse algo ali.
Tipo... Alguém tirou um órgão seu.
Me levantei e fui pra cozinha mas parei e esperei pelo momento certo pra entrar.
- olha... Não é assim... Isso é questão de tempo.
- mais eu não acho que ela vai conseguir ficar aqui sem mim, somos apegados. - disse meu pai.
- eu sei disso... Não sei oque posso fazer. Por mim, eu trazia você e Henrique pra cá... Maria sofre também ficando longe dele e eu só quero o melhor pra elas.
- se eu viesse, pelo menos algumas semanas... Seria estranho pra você? - minha mãe riu fraco.
- não, claro que não... Oque aconteceu entre a gente é passado, Álvaro. - ouvi um silêncio.
- eu sempre... Sempre quis você... Mais o tumor me vazia querer tudo... Ganância... Eu tinha tanto ciúmes de você com outros... Mais não pensava como você se sentia. - eu não sabia oque eles faziam nas pausas, mas os dois davam um tempinho até responder.
- eu não sei oque dizer... Você... É pai das minhas filhas e eu te quero por perto Álvaro... Mais... Eu não sei. - agora quero os dois juntos.
- não estou te pressionando, só.. só queria dizer... E pedir desculpas pro te fazer sofrer durante anos. - eu espiei e minha mãe sorriu pra ele.
Aí entrei na cozinha.
- oi meu amor. - disse minha mãe e lembrei da Malu.
- é... Por que a Malu tem uma cicatriz na barriga? - eles se olharam antes de olhar pra mim novamente.
- suas irmãs... Eram tão preciosas pra aquela mulher... E aquela mulher tinha três filhos, um menino que hoje tem 25 anos, uma menina da sua idade que é a caçula e a bebê do meio morreu quando tinha 1 aninho. - fiquei confusa.
- mais falavam que ela não podia ter filhos.
- isso é mentira.
- mais oque isso tem haver? - minha mãe me deu carinho no rosto.
- tem haver que um dia a menina que tem a idade de vocês ficou com câncer... Ela precisou de um rim e um coração... Uma menina morreu pra dar o coração e Malu deu o rim... Com apenas 4 anos de idade. - minha mãe se segurava pra não chorar. - quando essa menina completou 8 anos, o câncer voltou e ela precisou de células tronco compatíveis... E veio da Mari... E essa menina, chamada Isabelly, morreu a dois meses. - uau. - ela era muito parecida com vocês, olhos azuis, cabelos claros... Só era um pouco mais baixinha e mais moreninha.
- então... Ela quer a gente pra..
- substituir a filha.
- isso é maluquice.
- eu sei. - minha mãe tentava não chorar mas vi uma lágrima. - uma mãe em luto pela perda de um filho, faz qualquer coisa pra não pensar nisso... E ela quer vocês pra cessar a dor, por que pra ela só assim passará. - olhei pro meu pai.
- mais onde ela vivia? - olhei de volta pra minha mãe.
- em outro lugar, ela e o irmão.
- e por que não podem prender eles?
- eles são tipo fantasmas, não tem pistas deles em lugar nenhum... Nem mesmo as pessoas que frequentavam aquela casa... Ah meu deus minhas filhas eram submetidas a tantas torturas. - minha mãe começou a chorar muito. Meu pai abraçou ela e ela abraçou de volta e eu não soube oque fazer.
Malu não tem um rim, Mari perdeu células tronco e eu...
Sempre tive uma vida perfeita.
Eu já sofri também em hospitais, já tive parada cardíaca, vivia em casas noturnas... Mais eu sempre tive uma vida perfeita. Comparada com a vida delas, a minha era um luxo.
Fui estuprada mas uma só vez... Enquanto Malu e Mariana eram estupradas todos os dias... Todos os dias...
E eu estava tão bem, tendo tudo do bom e do melhor ao lado do daddy.
Não tenho oque reclamar, só agradecer pela minha vida inteira.
Deixei minha mãe ali com meu pai e subi pra fazer xixi, ainda pensando.
Oque vai acontecer comigo e Malu... Caso essa mulher nos pegue?
Tipo... Se ela quer sessar a dor usando a gente, então ela não vai fazer m*l a gente, só cuidar mas... Ela não tem esse direito.
Quero tanto o daddy pra me dizer que tá tudo bem, quero ele morando comigo, ele é rico, não precisa de dinheiro.