Fluxo Italiano

2247 Words
Os italianos camponeses estavam sofrendo com a pressão de uma Itália cada vez mais cheia de gente e sem terem muitas condições no campo. Havia, também, ondas de fome na Itália, forçando a população migrar. Uma dessas rotas migratórias foi pelo Vêneto, com a oportunidade de embarcar para a América do Sul. Os navios saíam do porto no Vêneto e partiam rumo às terras sul-americanas, em especial, Argentina e Brasil. Assim, famílias foram divididas, deixando seus laços sanguíneos nos dois continentes. Havia outro motivo que atraiu a busca por abandonar a Itália. Ainda havia e********o no solo italiano, até que uma lei a aboliu, tornando o fluxo migratório algo bem chamativo para os recém libertos. Os italianos representaram o grupo de imigrantes mais importante, superando até os portugueses. A primeira leva de emigrantes, principalmente de origem veneziana, instalou-se nas regiões sul, em Santa Catarina. Os italianos que chegaram depois, em sua maioria agricultores, para trabalhar como operários acompanharam o desenvolvimento das lavouras de café instalando-se na região de São Paulo. Em 1871, uma lei, chamada Barriga Livre, sancionou o início do fim da e********o. A partir desse momento, os filhos das escravas seiam livres; em 1888, a e********o foi abolida. A mão-de-obra dos emigrantes italianos substituiu em grande parte aquela emprestada até então por pessoas usadas como escravas: como branco e católico o imigrante italiano era tratado de forma diferente dos escravos negros, mas a real qualidade de vida era um pouco superior, e então as difíceis condições de trabalho, a mentalidade escrava de muitos proprietários de terras levaram o governo italiano a proibir a emigração para o Brasil com os Prinetti Decreto de 1902. Os italianos que chegaram a São Paulo no início do século XX vieram em sua maioria do sul da Itália, San Giovanni in Fiore, Cosenza, Potenza, Salerno, e eram quase todos de origem camponesa. Importante para os recém-chegados foi o apoio proporcionado pela rede de relações com os conterrâneos. No rápido crescimento de cidades como São Paulo, os italianos e os calabreses foram os protagonistas. Os mais empreendedores abandonaram o campo e o sonho de se tornarem pequenos proprietários de terras e se aventuraram no setor de serviços, comércio, varejo e atacado, contribuindo muito para o rápido desenvolvimento das cidades brasileiras. Brás, Bexiga, Barra Funda, Bom Retiro, são alguns dos bairros totalmente italianos., lugares onde os emigrantes fortaleceram as relações entre os aldeões, preservaram sua cultura, como evidenciado pelas numerosas festas dos santos padroeiros de seus países de origem. Os italianos que chegaram ao Brasil naquela época, ao contrário dos alemães, ou dos portugueses, ainda não representavam uma cultura e uma consciência nacionais, nem tinham a língua em comum entre os diversos grupos de origem. A língua italiana difundiu-se mais tarde por dois motivos. Por um lado, motivos de união: para favorecer as relações e casamentos entre italianos do Norte e italianos do Sul. Por outro lado, motivos de separação: para os que melhoraram suas condições econômicas e sociais, para a classe média, o uso do dialeto era uma característica das classes sociais mais baixas, das quais deveriam se distinguir. Brasil representou um dos principais destinos da emigração italiana já que, por outro lado, a imigração italiana foi um dos componentes mais importantes dos fluxos direcionados ao país latino-americano. Pelos dados disponíveis, desde 1876, ano em que se iniciou o levantamento dos expatriados, até 1975 estão quase um milhão e meio de italianos emigraram para o Brasil. Estatísticas do país de chegada forneça um valor um pouco mais alto para o período de 1870-1975 (1,6 milhão), mas como? Você vê, não muito longe da fonte italiana. Esses valores, embora altos, não dão conta suficiente da importância que o fluxo migratório entre Itália e Brasil tem assumido para os dois países, especialmente nas duas últimas décadas do século XIX e no início do século XX. Basta dizer que em 1891 os expatriados para o Brasil representavam 37% de toda a emigração italiana e 58% daquela direcionada para as Américas; ou aquilo, em 1888, o fluxo de italianos representava 79% da imigração para o Brasil e que no geral, entre 1870 e 1975, foi igual a 30% de todas as entradas registradas pelo sistema estatístico do país. É claro que os dados estatísticos que acabamos de mencionar, e aqueles que serão usados ​​no o resto do trabalho deve ser feito com grande cautela, à medida que mais voltamos para o tempo, maiores são as chances de que as informações disponíveis descrevam um processos sociais complexos como a mobilidade internacional de uma forma ainda mais parcial e fragmentada do que é o caso hoje. Apesar dessas limitações importante, que tentaremos definir no próximo parágrafo, os dados disponíveis permitem-nos, no entanto, delinear as principais etapas e alguns personagens importantes de um fluxo que tem sido um elemento importante na história, não apenas na migração, dos dois países. Para tanto, após o exame das estatísticas utilizadas, passaremos para descrever as tendências de longo prazo do fenômeno, para dedicar os dois últimos partes do trabalho à análise das regiões italianas de partida e dos estados brasileiros de chegada. A pesquisa sobre expatriados e repatriados é a fonte estatística de referência para a medição da emigração italiana. A pesquisa, que foi encerrada na década de 1980 do século passado, começou a quantificar as saídas de cidadãos italianos a partir de 1876, enquanto para os que regressaram foi lançado em 1905 para os países não europeus e em 1921 para os da Europa e da bacia do Mediterrâneo. Os emigrantes que expatriados em condições desfavorecidas econômicas e, de 1914 a 1927, aquelas que se deslocaram ao exterior para realizar trabalhos manuais, realizar pequenos negócios ou juntar-se a familiares já emigrados por motivos de trabalho. De 1928 a 1942, os trabalhadores intelectuais foram adicionados a essas categorias; enquanto, desde 1943, a definição foi expandida para entender aqueles que foram para o exterior em busca de uma profissão, uma arte ou um profissão, por conta própria ou contratada por terceiros, para seguir ou juntar-se a familiares expatriados por esses motivos e, por fim, aqueles que por qualquer motivo pretendiam consertar sua residência fora das fronteiras nacionais. Existem, como pode ser visto, diferenças significativas de um período para outro e como a aconselhar cautela em relação aos vários momentos da emigração italiana. Também porque os métodos de detecção sofreram mudanças ao longo do tempo igualmente relevante. Limitarmo-nos apenas aos fluxos para países não europeus, cujo sistema de detecção difere daquele relativo ao início da emigração europeia de 1921, tem-se que no período de 1876-1903 os dados foram retirados da Nulla Osta para emissão de passaportes, de 1904 a 1920, de passaportes emitidos, de 1921 a 1954 dos cupons estatísticos inseridos nos passaportes complementados pelos nomes a bordo, de 1955 a 1968 pelas listas a bordo e pelos relatórios nominativos de expatriação para por via aérea e, finalmente, desde 1969 pelas investigações dos municípios italianos de residência (ou residência anterior) dos emigrantes. No que diz respeito, no entanto, os repatriados de países não europeus, a pesquisa foi baseada de 1905 a 1920 nas listas de nomes de fronteira, de 1921 a 1954 nos cupons estatísticos inseridos nos passaportes e nas listas de a bordo, de 1955 a 1968 apenas em listas de bordo e a partir de 1969 em investigações por municípios de residência na Itália. Essas mudanças nas definições e nos métodos de detecção certamente têm efeitos importantes na comparabilidade dos dados, especialmente em um intervalo de tempo tão amplo quanto o considerado no presente trabalho. No geral, no entanto, as várias mudanças introduzidas visaram melhorar o inquérito para permitir uma medição mais precisa do fenômeno migratório. A dados relativos a folgas, por exemplo, tendiam, por várias razões, a superestimar a real intensidade do escoamento. O número de passaportes foi, na verdade, sempre inferior ao número de despachos concedidos, pois em alguns casos o documento não foi retirado por pessoas que já não pretendiam emigrar ou porque, apesar do parecer favorável, não foi divulgado pelas autoridades por motivos de ordem pública. A transição, ocorrida em 1904, para estatísticas baseadas em registros de passaportes realizada pelos Gabinetes Distritais de Segurança Pública representava um indiscutível melhoria (Ibidem). Ainda havia, no entanto, grandes margens de diferença entre os dados estatística e intensidade do fenômeno. A emissão do passaporte, de fato, não implicou necessariamente emigração, transferências sem passaporte aumentaram com o aumento do número de estados que não exigiram este documento, nem sempre foi possível estabelecer o país exato de destino e, dada a duração de três anos do passaporte, várias viagens ao exterior pela mesma pessoa eram possíveis. A mudança subsequente, que significava fluxos para países não europeus em 1921 a transição para estatísticas baseadas em cupões estatísticos inseridos nos passaportes a recolher no momento da partida e nas listas de bordo, permitiu evitar essas lacunas na pesquisa. As áreas críticas que permaneceram preocupadas emigração ilegal, expatriações múltiplas durante o ano, uso de passaportes concedidos por outros motivos que não a emigração e a ineficácia dos controles para fronteira. De acordo com o Comissariado Geral para a Emigração, no entanto, esses problemas diziam respeito principalmente aos fluxos para países europeus. A introdução destes novos critérios de pesquisa coincidiu com a transferência da responsabilidade pela pesquisa para a Comissão Geral de Emigração. Com efeito, o Comissariado, estabelecido em 1901, havia iniciado seu próprio levantamento dos fluxos transoceânicos em 1902 com base precisamente nas listas de bordo e de maneiras que, por meio de melhorias subsequentes, serão parcialmente utilizadas, um a partir de 1921, para medir expatriados e repatriados. Para o período de 1902-1925 eles são, portanto, disponível para fluxos diretos fora da Europa e da bacia do Mediterrâneo duas séries diferentes: a de expatriados, elaborada pela Direcção-Geral de Estatística a partir de informações relativas aos passaportes, e a baseada em listas de conselho dirigido pelo Comissariado. Os principais limites da última pesquisa diziam respeito à exclusão daqueles que viajam em uma classe diferente da terceira (também para decisão do transportador que, portanto, não pagou o imposto previsto), dos que saem dos portos estrangeiros (exceto Le Havre, mas limitado a emigrantes do norte da Itália com destino a Nova York e usando os navios da Compagnie Générale Transatlantique) e aqueles que trabalharam nos navios durante a viagem. A série geralmente utilizada para a análise da emigração transoceânica italiana nas duas primeiras décadas do século passado é, no entanto, a da Gestão. Geral de Estatística. No caso do Brasil, porém, os dados do Comissariado, com base nas listas do quadro, são de seu próprio interesse porque permitem que você destaque com imediação dos efeitos sobre os fluxos do chamado Decreto Prinetti que, em março de 1902, proibiu "qualquer operação de recrutamento de emigrantes a serem transportados com viagens grátis »no país da América Latina. Com a supressão do Comissariado, em abril de 1927, os serviços encarregados da vistoria passaram para a Diretoria. General dos Italianos no Exterior e, a partir de novembro de 1929, acabaram em dependências do Instituto Central de Estatística, fundado em 1926. As mudanças introduzidas na pesquisa a partir da segunda metade dos anos cinquenta do século XX tentaram adaptá-lo às grandes mudanças que tiveram entretanto, caracterizou-se o panorama mundial da migração, especialmente no contexto europeu. Em particular, o nascimento da Comunidade Europeia e a maior facilidade de emigração para muitos destinos continentais levaram à mudança do sistema de detecção por esse tipo de movimento focando, desde 1958, nas investigações dos municípios de residência dos emigrantes. Critério que, por razões de uniformidade, foi estendido para destinos não europeus a partir de 1969. Enquanto isso, entretanto, a emigração italiana para a América do Sul e, em particular, para o Brasil, após ter experimentou uma recuperação modesta no primeiro período pós-guerra, caiu para níveis decididamente conteúdo. Para quantificar os fluxos migratórios de italianos para o Brasil também é possível recorrer a fontes brasileiras. Uma série estatística sobre imigração para o Brasil relata dados de várias publicações oficiais relativas ao período 1872-1971. A série mede a entrada no país de imigrantes permanentes (permanência superior a seis meses) desde o primeiro assentamento (estabelecimento). Com base em informações coletadas nos portos, foram elaborados pela Inspetoria Geral de Terras e Colonização; depois de supressão deste órgão a tarefa foi transferida para o Departamento de Estatística do Rio de Janeiro e desde 1908 no Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Para um primeiro período, os dados referem-se aos passageiros da terceira classe que chegam aos portos. Os brasileiros e sua cobrança contavam com a obrigação das companhias marítimas de fornecer às autoridades competentes as listas de passageiros. Após 1908, a série fornece informações para uma ampla gama de nacionalidades; enquanto, a partir de 1921, considerar passageiros de segunda e terceira classes que chegam aos portos de Belém, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, Florianópolis e Rio Grande. Vem, em todas as evidências, de dados a serem tomados com grande cautela, mas que podem nos ajudar a um quantificação máxima da intensidade do fenômeno. Nesse sentido, deve-se ressaltar que, como veremos adiante, a comparação entre as séries italiana e brasileira mostra uma concordância de tendência substancial. Um resultado reconfortante, que confirma como os dados estatísticos disponíveis podem dar uma contribuição útil ao quadro geral da história da imigração italiana para o Brasil, dado que uma certa margem de diferença entre a medição do mesmo fluxo a migração do lado do país de partida e do país de chegada é inevitável, tendo em conta a diversidade de definições e métodos de detecção.
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