Psicologia Analítica

1137 Words
— Amiga! Sério que vocês transaram no carro dele? — Sim, amiga. — Uau! Você é uma sortuda. — Por quê? — Ele é rico. — Ah. Eu não estou interessada no dinheiro dele. — Eu sei. Mas você não vai precisar se preocupar com dinheiro. — Eu ainda estou o conhecendo. Nem estamos namorando. — Mas você está gostando dele? — Não sei ainda. Talvez... — Ele parece ser gente boa. — Ele é misterioso. — Misterioso? — Sim. Ele não é muito de falar da vida dele. Paula era a melhor amiga de Patrícia. Elas conversavam sobre todos os acontecimentos em suas vidas. O dia foi muito agitado no trabalho, diferente do anterior. Patrícia estava exausta. O dia passou e viu em seu celular as horas marcarem o final do seu expediente. Despediu-se de sua chefe e pegou a mochila. Seria mais uma noite de faculdade. Surpreendentemente, Bruno apareceu na porta da loja. E não foi de qualquer jeito. — Flores para a mulher mais bela. Patrícia corou. — Que lindas! Muito obrigada! — De nada, meu bem. Se beijaram e entraram no carro. Patrícia estava com o lindo buquê de flores nas mãos. — Mas, e agora? Como vou entrar na sala de aula com essas flores? — Você pode deixá-las no banco de trás. Pega quando for embora. — Está bem. Chegaram em frente a faculdade e se beijaram novamente. — Te vejo mais tarde. — Até mais. Patrícia deixou o perfumado carro de Bruno e entrou no prédio da faculdade. As aulas seriam sobre psicologia analítica. Psicologia analítica é o termo designado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) para o seu método de interpretação da psique humana. Para se diferenciar da metodologia da psicanálise de Sigmund Freud (1856-1939), Jung atribuiu este nome à sua abordagem. A psicologia junguiana, também conhecida como psicologia analítica, é a abordagem psicológica baseada na filosofia e nas ideias do psiquiatra e teórico Carl Gustav Jung. Essa vertenteda psicologia busca compreender a mente humana em suas complexidades e experiências pessoais por meio de uma análise geral do indivíduo. O professor explicava a matéria numa mansidão que fazia os alunos cochilarem. Patrícia estava cansada e quase pegou no sono. A Psicologia Analítica trabalha para integrar aspectos inconscientes à consciência e estabelecer um equilíbrio entre mundo interno e externo. Os principais conceitos da Psicologia Analítica de Jung são o inconsciente coletivo, o que difere sua teoria da teoria de Freud, os arquétipos, a persona, a anima e o animus entre outros mais que vem dar força a esta teoria que traz a base para a psicoterapia de orientação analítica. O objetivo de uma terapia é o processo de individuação, no qual o paciente “confrontando-se” com o seu próprio inconsciente, tanto o coletivo, quanto o pessoal, chegará a ser a sua própria totalidade, chegará à plenitude, ou seja à sua personalidade total. Patrícia levantou a mão para perguntar: — Professor, por que o símbolo é considerado um aspecto central da psicologia analítica? — Bem. Vejamos. O símbolo é a melhor expressão possível de algo relativamente desconhecido, pois ele representa por imagens, experiências e vivências, que incluem aspectos conscientes e inconscientes, desconhecidas da consciência. Na psicologia junguiana, a personalidade como um todo é denominada psique. Esta palavra de origem latina significava originalmente “espírito” ou “alma”, mas atualmente vem sendo usada no sentido de mente. A psique não se resume apenas ao cérebro. É, antes de tudo, um processo em evolução contínua, repleto de energia. Esta energia é gerada a partir da própria tensão criativa entre as polaridades (opostos), que irá resultar na produção dos sonhos, imagens fantasias, enfim, nos símbolos da psique. A consciência é a única parte da mente que é conhecida diretamente pelo indivíduo. Surge muito cedo na vida: ao observar-se uma criança, pode-se notar uma percepção consciente a operar quando ela reconhece e identifica seus pais, brinquedos e demais objetos que a cercam. Além dessas quatro funções mentais, existem ainda duas atitudes que determinam a orientação da mente consciente. Estas atitudes são a extroversão e a introversão. A atitude extrovertida orienta a consciência para o mundo externo e objetivo. Em contrapartida, a atitude introvertida orienta a consciência para o mundo interno e subjetivo. Para não dormir na aula, Patrícia adotou a estratégia de fazer perguntas. E isso estava funcionando bem. — Professor, tenho mais outra dúvida. — Diga. — Qual é o processo em que a consciência de uma pessoa se diferencia de outra? — É a individuação. A consciência e a individuação caminham lado a lado no desenvolvimento da personalidade, pois o início da consciência é também o início da individuação. Do processo de individuação da consciência, surge um novo elemento, ao qual Jung deu o nome de Ego. Ego foi o nome dado por Jung à organização da mente consciente. Essa organização se dá por meio de uma composição de percepções conscientes, recordações, pensamentos e sentimentos. Embora ocupe pequena parte da psique total, o Ego desempenha a função básica de vigia da consciência: a menos que o Ego reconheça a presença de uma idéia, de um sentimento, de uma lembrança ou de uma percepção, nada disto pode chegar à consciência. O Ego tem uma relação muito importante com o Si mesmo: trata-se de uma realidade paradoxal: num certo sentido, o Ego é o Si mesmo, pelo menos aquela parte do Si mesmo que existe na consciência empírica, que vive e atua no mundo da realidade consensual. — Já ouvi dizer que existem pessoas com o ego muito grande. Como o ego cresce? — perguntou Patrícia novamente. — Boa pergunta. O ego cresce à medida que interage com o inconsciente e o meio ambiente. Nos bebês, o ego tem, inicialmente, uma atitude passiva. Ele surge da colisão entre as necessidades corporais e o meio ambiente. A exclusão de emoções e pensamentos também pode ocorrer de forma inconsciente. Essa “exclusão” é feita por um mecanismo de defesa chamado repressão. Outra função do desenvolvimento do Ego e da consciência, além da questão adaptativa ao meio ambiente, seria a de garantir a própria existência, pois, para compreender o ser que há em cada um de nós, é necessário que criemos significados capazes de imprimir um sentido, um rumo a nossas vidas. E essa capacidade de criar significados e dar um sentido à existência é desempenhada pela capacidade de simbolização da consciência do Ego. As aulas terminaram e Patrícia saiu satisfeita, pois não cochilou sobre a carteira e pôde tirar dúvidas. Ao sair, lá estava o Camaro branco esperando por ela. Dessa vez, foram direto pra casa. Ela despediu-se dele com um longo beijo e entrou em casa com o buquê de flores. — Que flores são essas, filha? Quem te deu? — Perguntou sua mãe. — Ah, é uma longa história.
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