Você está falando sério?

994 Words
Entrando na sala de aula e deixando minha mochila em minha carteira, percebi a última pessoa que eu esperaria encontrar no colégio antes mesmo do primeiro sinal tocar, Rebeca estava dormindo no chão do fundo da sala, usando a mochila como travesseiro e o casaco como lençol, não pude deixar de rir. Agora, sério, desde quando a Rebeca chega cedo? Ela chegou mesmo antes de mim? Me aproximei dela _Rebeca? Acorda – a cutuquei, ela fez careta e eu quase perdi meu dedo quando a louca acordou já querendo machucar quem estivesse a cutucando, infelizmente, esse sou eu _O que você quer?! Me deixa em paz, Lupita – revirei os olhos para um de seus muitos apelidos ridículos para mim, gostaria de não lembrar da história por trás desse Ela me ignorou e virou de costas para mim, voltando a dormir _Quanto mau-humor – comentei rindo e vi a Fernanda entrar com uma garrafinha na mão – oi, Nanda, enchendo a garrafa? _Sim, qual a graça? – Fernanda sorriu curiosa _Acabei de comprovar o quanto acordar cedo enfurece a sua prima _Na verdade, eu acho que ela não dormiu, quando eu a acordei estava na cozinha parecendo uma assombração, sorte que fui eu quem vi, senão coitada da nossa avó – Fernanda contou bem humorada Logo os outros alunos foram chegando, assim como o professor, e nossas aulas começaram. As horas passam rápido de manhã, então não demorou para o sinal tocar, anunciando o início do nosso intervalo, procurei pela Fernanda e a vi saindo com algumas de suas amigas, me restando gastar meu intervalo irritando a garota mais irritável e assustadora do colégio, sério, a Rebeca não tem a melhor fama aqui, muitos a criticam por ser tão direta e massiva, já eu acredito que só não gostam dela porque não a conhecem, mas quem pode culpa-los? Ela é intimidante demais para se dar a conhecer, sério, não sei nem como ainda estou aqui, acho que passar tanto tempo com ela pode estar me afetando. Sorri com meus pensamentos enquanto alcançava a garota em retirada _Vai passar na cantina? – perguntei e ela revirou os olhos _Não – respondeu direta e continuou andando Rebeca parecia procurar alguém e sentou na mesa perto do fundamental I _Não vai descer para o pátio? – perguntei, sentando com ela, que me olhou f**o _Não, Lulu, não vou. Agora vá procurar óvnis e me deixe em paz – ela puxou o celular Ficamos em silêncio até que ela me olhou, mais precisamente para o que eu estava segurando _Não devia estar vendendo? Devem estar te procurando – Rebeca comentou, pegando a vasilha de mim _Já vendi metade entre as aulas, alguns alunos das outras turmas vieram na nossa sala, mas você não deve ter visto – lembrei que ela estava dormindo nas aulas Ela murmurou em concordância e pegou dois brigadeiros da vasilha. Eu vendo brigadeiros no colégio, é bom ter dinheiro para sair e já estou acostumado a ajudar minha mãe a preparar os lanches da lanchonete de noite _Pretende pagar hoje? – comentei a vendo pegar o terceiro brigadeiro, mas sabendo a resposta _Coloca na minha conta _Certo, assim como todos os outros desde que comecei a vender – murmurei e peguei a vasilha de volta, a deixando com o brigadeiro Rebeca parou de repente e eu segui seu olhar, encontrando a coordenadora do médio se aproximando, procurando alguém _O que você fez? – perguntei cansado _Quem disse que eu fiz alguma coisa? Rebeca me encarou ofendida, mas não cedi e ela desistiu, tentando encontrar um lugar para se esconder, já que a coordenadora estava vindo da direção com a única saída _Se me contar eu posso te ajudar – ela me encarou decidindo _Certo – ela viu a coordenadora chegando perto – eu quebrei o projetor da sala do segundo ano e posso ter, sem querer, causado a alergia da professora Valéria _Como você- Estava prestes a perguntar quando a louca me puxou e me beijou, durou apenas alguns segundos e ela se afastou, me olhando assustada _O que você está fazendo, i****a, eu disse que não queria! – ela gritou Toda minha confusão foi embora quando notei a coordenadora atrás da Rebeca, me olhando irritada. O pavor me atordoou, quando entendi o que a garota estava fazendo _Eu não fiz nada! Gritei, mas a coordenadora já estava anunciando sua presença: _O que está acontecendo aqui?! Olhei Rebeca frustrado quando a vi fingir se assustar com a coordenadora _Patrícia! – Rebeca falou com a coordenadora, parecendo muito nervosa, que fingida! – esse i****a, ele- _Eu vi, Rebeca, não se preocupe – a coordenadora a interrompeu – vamos ter uma conversa na minha sala, senhor Luís _Mas eu não fiz nada! Tentei me defender, mas a coordenadora me ignorou _E você, Rebeca – ela se parou, notando que a garota parecia prestes a chorar, a coordenadora respirou fundo – depois conversamos, vá beber água Patrícia me fez um gesto para segui-la e suspirei, me levantei encarando a Rebeca frustrado _O que? – ela me olhou inocente – você disse que ia me ajudar! _Não desse jeito! _Eu improvisei – deu de ombros – Agora vá falar com a Patrícia, Lulu Rebeca riu, me socando de brincadeira no ombro, esfreguei o local irritado _Você tem que parar com isso – reclamei _Com o que? – ela perguntou distraída, enquanto pegava minha vasilha esquecida _Primeiro beijo, depois agressão, então beijo e agressão de novo _Você quem me beijou, i****a! – ela me olhou f**o _Sim e então você me beijou, aliás, agora a pouco – provoquei e corri rindo, quando ela fez sinal de se levantar irritada _Corra mesmo, ou a Patrícia não será a sua única preocupação! – ela gritou, enquanto eu me afastava Patrícia já estava me esperando na porta da sala dela quando cheguei. Suspirei, porque eu ainda me aproximo daquela maluca? Olha o tipo de situação que tenho que lidar, por causa dela!
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD