Aconteceu mesmo?

977 Words
Observei enquanto minha amável prima entregava um enroladinho de queijo para uma cliente, antes de virar para falar por cima do balcão da cozinha _E então? Terminou os sanduíches da mesa 02? _Sim, claro. A tia Sílvia já levou para a mesa – respondi cansada _E as duas pizzas e o suco da mesa 04? – Fernanda perguntou, lendo os pedidos no caderninho _Sério? Eu estou cansada! – reclamei, me jogando no balcão para enfatizar _Eu também, mas temos que ajudar a tia Sílvia, agora anda que tem gente esperando! _Não se preocupe, Nanda, eu já levei os pedidos e a Márcia acabou de chegar para ajudar minha mãe, podemos parar – respondeu o encosto que tenho como amigo, Luís Eduardo ou como eu carinhosamente o apelidei: Lulu _Aleluia! – gritei, tirando a touca e saindo da cozinha para encontrar com os dois do outro lado do balcão _É sempre bom saber como você fica feliz em ajudar – o garoto implicou _Sim, sim, agradeça que eu gosto mais da sua mãe do que suporto você – sorri docemente para ele _Não se preocupe, o sentimento é recíproco – Luís me olhou f**o _Está bem, gente, todo dia isso – Fernanda suspirou – já entendemos, vocês se odeiam, agora eu vou pegar um tão merecido sorvete – a morena se afastou da gente O grande gênio interpretou isso como o fim da conversa e, também, se afastou, sentando em uma mesa para mexer no celular. O encarei por alguns segundos, antes de decidir por pegar uma coxinha e sentar na mesa com ele: _Você é entediante, sabia disso? – comentei, antes de morder a maravilha de frango _O que foi, Rebeca? – Luís suspirou sem desviar os olhos do celular – Não tem nada melhor para fazer, não? _Não – sorri e ele, finalmente, olhou para mim e com um olhar para minha postura desleixada e para a coxinha, ele revirou os olhos _Você é tão previsível – cerrei os olhos para o seu comentário _O que você quer dizer? – questionei já começando a me irritar quando ele voltou a não me dar atenção A v*****e de quebrar seu celular naquele momento estava gigante, ao ponto em que realmente estava considerando que valeria a pena ter que comprar um novo aparelho para ele, contanto que eu pudesse explodir seu celular em pedaços junto com sua indiferença insuportável _Nada, esqueça, não quero precisar de um celular novo porque você ficou irritada demais para se controlar Aquela resposta atiçou ainda mais minha raiva e precisei me conter de levantar e ataca-lo, minha postura ficando rígida e a coxinha esquecida, cerrei os dentes _Você acha que me conhece muito bem, não é?! _Por que eu conheço – ele rebateu simples _Não é porque te aturo desde criança que você sabe tudo sobre mim! Luís respirou fundo e, finalmente, largou o celular na mesa, me encarando _Sério? Por que me parece um ótimo motivo. Eu te conheço tanto, Rebeca, que sei que toda essa raiva é bem mais pelo fato de eu não estar te dando atenção do que por qualquer comentário meu – O i****a sorriu esperto, já tendo a discussão como ganha _Eu? Querer a sua atenção? Você está se escutando, i****a? – me levantei irritada _Ah, então já estamos na fase dos insultos? – seu sorriso provocador só crescia e, com ele, minha raiva _Não, estamos na fase em que você cala a boca! – gritei, partindo para cima dele Luís se levantou, segurando meus braços para me impedir de machuca-lo _Por que você é tão agressiva? – reclamou _Me solta! – tentei puxar meus braços, mas ele tinha um aperto forte neles _Eu lembro que você tinha prometido controlar suas respostas agressivas – ele comentou, enquanto eu ainda o encarava furiosa, tendo desistido de tentar me soltar, mas ainda mantendo um puxão forte contra seu aperto – mas acredito que só durou duas semanas de paz, acho que um pedido de desculpas pode compensar _Eu? Pedir desculpas para você? Luís Eduardo? O rei Lulu? – ri com descaso, mas ele sorriu inabalável _Tudo bem, Rebeca, acho que podemos resolver isso facilmente Quando ele se aproximou e tomou minha boca na sua, não pude acreditar, o que ele estava fazendo? Meus pensamentos foram ficando de lado, enquanto me permiti me perder no gosto de seu beijo, não podia deixar de me perguntar como isso podia está acontecendo? Fomos o primeiro beijo um do outro e agora estamos aqui, o que estava acontecendo? Eu não podia estar mesmo beijando o i****a, podia? Toda aquela crise passou por minha mente em segundos e logo eu estava me entregando totalmente ao momento, o aperto em meus pulsos foi suavizado, enquanto ele me libertava para trilhar, tortuosamente devagar, o caminho pelas minhas costas com seus dedos, minhas próprias mãos alcançando seu rosto, meus dedos se perdendo em seu cabelo como se quisesse o guiar, o conduzir. Porém, o momento não poderia durar para sempre e eu sei que isso não está certo. Sim, isso está absolutamente errado, precisamos parar antes de afetar o equilíbrio natural do mundo! Sei que isso não deveria acontecer, então o afasto de mim _O que você estava pensando? – questiono, o empurrando com força e o i****a resmungou _Só queria saber se continuava igual – ele sorriu, como se fosse completamente normal, e pegou seu celular – eu vou procurar a Nanda O rapaz se afastou como se nada tivesse acontecido e eu olhei ao redor, verificando se alguém notou o que aconteceu, agradeci mentalmente que nos sentamos em uma das mesas do fundo da lanchonete, tudo que eu menos precisava, com certeza, é que alguém me visse beijando Luís Eduardo Moraes! Eu nunca conseguiria ouvir o fim dessa história, não mesmo, pensei, enquanto recuperava a coxinha e a terminava com duas mordidas grandes e fortes.
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