Jogo de gato e rato

1165 Words
Eu estava conversando com a Lena, vó das garotas, quando ouço a porta da frente abrir, congelei nervoso até que ouvi sua voz: _Vó? - Fernanda chamou, entrando na cozinha, felizmente, sem a Rebeca, suspirei _Eu estava conversando com o Luís, Nanda, você já comeu? - Lena perguntou já se levantando para fazer algo para a neta _Ainda não, vó - Fernanda deixou sua mochila na cadeira e sentou ao meu lado, a Lena distraída - O que você está fazendo aqui? _Me escondendo da Rebeca, a sua prima louca apareceu lá na lanchonete me procurando _E você decidiu se esconder na casa dela? - Fernanda levantou uma sobrancelha irônica _Onde mais? - dei de ombros _Que tal na sua própria casa? _Fácil demais – neguei - é o segundo lugar que ela vai procurar – peguei outra bolacha do pote na mesa – Por que demorou tanto para chegar? - mudei de assunto _Fiquei terminando o trabalho de geografia com o David, já fez? - assenti e ela me olhou por um instante - você sabe que n******e fugir dela para sempre, não é? _Funcionou até agora – respondi e ela bufou – O que você quer que eu faça? Sua prima é maluca, ela começou isso! - abri os braços para expressar toda minha indignação _Sim, você já disse isso – Fernanda me fulminou com o olhar – na frente dela, quando ela já estava com raiva e é, por isso, que você está tendo que se esconder Acenei irritado um "tanto faz". A garota é doida e eu sou o culpado, ela quem não consegue resolver nada sem violência e eu sou o errado, onde eu me meti? _Por que você não só pede desculpas a ela e resolve logo isso? - Fernanda respondeu cansada, quando a Lena colocou um prato com sanduíche e achocolatado na frente dela – Obrigada, vó A Lena sorriu para a gente e disse que nos deixaria conversar e ia assistir seu programa na televisão do quarto _Você acha que eu não tentei?! - quase gritei e Fernanda me repreendeu _Como exatamente? - ela me olhou desconfiada _Um recado na carteira dela? - murmurei e Fernanda bufou indignada – Ei! Eu também deixei um pacote com uma coxinha e brigadeiro – me defendi e isso pareceu acalmar a garota, que me olhou incerta _E o que ela fez? Hesitei em responder, enchendo a boca de bolachas, mas Fernanda não cedeu e, assim que engoli, dei de ombros chateado _Ela amassou o recado e jogou no lixo Fernanda respirou fundo para conter a frustração _Você precisa conversar com ela! Cadê sua coragem, garoto? Gastou toda lá na frente de todo o colégio? Fernanda brigou, então ouvimos a porta da frente bater com força _Cadê ele?! - ouvimos a voz da Rebeca e Fernanda me olhou assustada _Não agora, se esconde! Se esconde! - ela me empurrou para debaixo da mesa e agradeci que a toalha de mesa fosse longa _Não bata a porta, Rebeca! - Fernanda repreendeu, enquanto se levantava e eu vi quando Rebeca entrou na cozinha _Ele não estava na lanchonete e nem em casa, então onde você está escondendo-o, Fernanda? _Quem? - Fernanda se fez de sonsa _Você sabe quem! - ouvi Rebeca revirando a casa e congelei _Respira, Rebeca, venha aqui – Fernanda a conduziu até o sofá - Você precisa se acalmar Quase ri com o pensamento, só a Fernanda mesmo para achar que aquele animal selvagem pode se acalmar, agora que o instinto de caça da Rebeca foi ativado, só vai parar quando pegar sua presa que, nesse caso, sou eu. Aproveitei que ela estava de costa e passei com cuidado para o quarto da Fernanda, eu sabia que se a Fernanda queria acalma-la iria precisar de comida, então logo elas iriam para a cozinha, eu não queria que o radar assassino da Rebeca me percebesse. Quando ouvi seu grunhido raivoso e uma porta próxima bater, soube que Fernanda tinha falhado em tranquilizar a fera e que ela tinha voltado a revirar a casa, não tive muito tempo para me esconder quando a porta do quarto bateu aberta e ouvi Fernanda gritar agitada "Não mate ele, Rebeca!". Então a porta foi fechada bruscamente e a única ajuda ficou do outro lado, olhei para aquele ser parado em frente a porta, seus olhos duas fendas assassinos que juro, se tivesse menos luz no quarto, brilhariam em vermelho sangue, suas sobrancelhas juntas e sua boca apertada, como se para conter suas presas de me destroçarem ali mesmo, os punhos cerrados, enquanto eu levantava meus próprios braços em frente a mim, assustado. _Calma, Rebeca, vamos, não foi nada demais – tentei, recuando, enquanto ela permanecia parada - Está tudo bem, a gente pode só esquecer isso? Senti minhas costas baterem na parede e foi como se o gatilho fosse disparado. Logo, Rebeca estava correndo atrás de mim pelo quarto, me xingando no que pareceu três línguas diferentes, uma deveria ser sua língua da vida passada, quando tenho certeza que ela era uma onça, pulei a cama da Fernanda, fugindo, mas ela conseguiu me alcançar e me empurrou na cama, me segurando forte pela camisa _O que você estava pensando, i****a! É culpa sua, agora eu tenho que escutar todo dia as bobagens desses estúpidos se metendo, até professores! Professores! E eles te provocam, hein? Não! Eles me provocam, porque aparentemente estamos namorando, mas é como se eu namorasse sozinha! - ela me sacudiu agressiva _Para, Rebeca, não é minha culpa! - consegui me livrar dela e corri, mas ela conseguiu me prender na parede, furiosa _Não é sua culpa? Não é sua culpa?! Quem fez todo mundo acreditar nesse boato de namoro? - Seu rosto se aproximou do meu irritado _Pode não ser mais um boato! - gritei apavorado, fechando os olhos apertado Esperei o soco que não veio, ficamos alguns instantes naquela posição em silêncio, eu estava com medo de olhar para ela e ser morto ali mesmo, mas não aguentava mais não saber o que estava acontecendo, até que ouvi sua voz confusa e hesitante: _O que? - ela falou tão baixo que não sei se abri meus olhos de surpresa, com a ausência repentina de raiva assassina, ou para confirmar se era mesmo a Rebeca que ainda me segurava _Hum – Limpei a garganta, sem saber ao certo o que dizer _O que você quer dizer? - ela estreitou os olhos e me empurrou mais forte contra a parede, mas não havia mais raiva _Eu acho – respirei fundo, nervoso – que te pedi em namoro? De verdade? Eu não saberia dizer se aquilo foi uma pergunta ou uma afirmação, o que eu estava fazendo? O que estava acontecendo? Ela não está mais furiosa, mas continuo apavorado, porque ela n******e simplesmente me soltar e esquecer tudo isso? Eu poderia me humilhar mais? Eu não poderia ser amigo de uma garota que não tenta me destruir a cada idiotice que faço?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD