Zoe Sanders
—TUDO.
Nunca pensei que uma simples palavra pudesse ter o poder de fazer o tempo parar, de fazer meu corpo reagir de uma maneira insana.
A primeira vez que vi o “capitão gostosão” fiquei hipnotizada com seu olhar intenso, por mais que tivesse acontecido em um momento inoportuno, já que uma senhora estava tendo um m*l súbito, mas não consegui ficar indiferente a sua presença muito menos ao seu olhar, e tenho que confessar que no momento em que nossos olhos se encontraram durante o assalto, por mais que eu tenha sentido algo reconfortante, eu não o reconheci de primeiro momento, mas ao ser resgatada por seus braços fortes e de maneira cinematográfica puder sentir aquela mesma sensação de nosso primeiro encontro, e quando meus olhos fitaram os seus no momento em que fui colocada na ambulância, o reconheci, sabia que aqueles eram os mesmos olhos que me fizeram sentir como se eu tivesse encontrado a peça que faltava em mim, mas que nem mesma eu sabia que faltava.
Vê -lo entrar naquele quarto de hospital, me fez confirmar o quão afetada eu ficava próxima a ele, pois todas as sensações que tive na primeira vez que nos vimos, voltaram com força total naquele momento.
Agora estou aqui, nesse carro, que apesar o vento frio que sopra lá fora, aqui dentro o clima e quente como um dia ensolarado de verão.
— O que acha de subirmos? Aceita um café? — digo por fim, com minha baixa tentando passar algum traço de naturalidade.
—Um café será ótimo. — sua voz rouca e sexy e seu olhar penetrante como se pudesse ler meus pensamentos me fazem arrepiar por inteira.
Saímos do carro e fomos em direção ao elevador, que não demorou muito para nos deixar no andar solicitado, ao pararmos em frente a porta, olha de soslaio e percebo que seu semblante está um pouco melancólico, como se ele estivesse imerso em lembranças tristes.
— Está tudo bem? Você parece triste?
— Ham .. estou bem, só me lembrei de alguém do passado.
Concordo com a cabeça e abro a porta. Ao entrar agradeço mentalmente por sempre deixar meu apartamento organizado, imagina se eu fosse bagunceira e tivesse passado por tudo aquilo, que vergonha eu passaria agora ao receber o capitão gostosão em meio a uma bagunça generalizada!?
— Senta, fica a vontade, vou preparar nosso café. — falo indicando a cadeira para que ele se sente a mesa de jantar que fica num ambiente integrado.
Meu apartamento não é pequeno, mas também não é nenhuma cobertura cinco estrelas, seus ambientes bem divididos se constituem em uma cozinha americana, que por sua vez tem um pequeno balcão de tijolos de vidro e tampo de granito escuro que acompanha as cores dos móveis da cozinha, com uma pequena ilha que facilita o manuseio de mais de uma pessoa, no ambiente amplo que compõe a cozinha americana consegui aproveitar o espaço colocando uma mesa de jantar de tampo de vidro com cadeiras forrada em um tecido aveludado confortável na cor bege, na parede atrás de mesa há uma grande porta de blindex que dá acesso a uma pequena varanda com alguns casos de plantas e duas poltronas para áreas externas, já na sala de estar, um sofá retrátil em suede na cor cinza e almofadas coloridas que alegram o ambiente, uma TV de cinquenta polegadas, e alguns objetos de decoração, não sou muito fã de portas retratos, por isso optei por pequenas esculturas e palavras decorativas como LOVE ou HOME.
Enquanto a cafeteira realiza seu processo, vou arrumando a mesa com o que tenho em casa, não demora muito e o café já está pronto.
— Então, você disse que quer saber de TUDO, por onde quer começar?
— Que tal por você? Sei que mora sozinha, onde estão seus pais?
— Meu pai morreu a alguns anos, minha mãe mora em Chicago com meu padrasto.
— E tem irmãos? Ou alguém aqui na cidade?
— Não, depois da morte de meu pai, vendi algumas propriedades que ele me deixou e guardei uma parte, a outra paguei minha faculdade e alguns cursos.
— Você fez faculdade, o que está fazendo trabalhando dentro de um banco como caixa, não que não seja um trabalho digno, mas com faculdade você poderia estar em um cargo melhor.
Abaixo meu olhar mexendo com a pequena colher no meu café. Sinto sua mão segurar firme meu queixo e o posicionar para encara-lo.
Solto um suspiro amargo e lhe conto minha triste história.
— Pouco antes da pandemia começar eu fui selecionada para trabalhar em uma grande multinacional, porém com o lockdown, a empresa começou a fazer cortes de gastos e cancelou as contratações, graças a um professor da faculdade consegui esse trabalho, estou a espera de uma oportunidade.
— Espero que depois do ocorrido você consiga ao menos uma promoção.
Dou um sorriso desanimado e sigo respondendo suas perguntas.
Após lhe contar sobre todo o procedimento do banco e tudo que aconteceu no assalto, seu telefone toca.
— Já estou a caminho!
Desliga o telefone e se encaminha apressado para a porta.
— Preciso ir, se cuide e aproveita para descansar.
— Pode deixar, você também.
O restante do dia foi quase tranquilo, eu disse quase. Um novo vizinho fez um pequeno estardalhaço com sua mudança.
Resolvo ir até o mercado e quando saio em direção ao elevador dou de cara com o vizinho barulhento.
— Sinto muito pelo incômodo, prometo que isso não se tornará uma rotina.— diz ele um tanto sem graça.
— Mudanças são turbulentas mesmo.
— Prazer, me chamo Andrew.
— Prazer Zoe.
— Espero em breve pode te oferecer um café para né redimir dessa bagunça.
— Não se preocupe, está tudo bem. Desculpe mas preciso ir.
— Tudo bem, nos vemos por aí.
Segui até o elevador e ao entrar no mesmo, tive uma sensação estranha, confesso que achei esse novo vizinho muito gato, alto, ruivo, de olhos azuis e algumas sardas que lhe dão um charme, mas algo no olhar dele me incomoda, contudo essa sensação pode ser por conta do que vivi hoje de manhã, acho que vou precisar de terapia, afinal nem todos são ruins ou são?
OBSERVAÇÃO DA AUTORA
OLA AMORES, PRIMEIRAMENTE MUITO OBRIGADA POR TODOS OS COMENTÁRIOS, ESTOU AMANDO LER, SEGUNDO, ESTAREI POSTANDO MAIS 9 CAPITULOS NOS PRÓXIMOS 15 DIAS, DAREI UMA PEQUENA PAUSA APÓS ISSO E RETORNAREI COM FORÇA TOTAL, PEÇO QUE AJUDEM MEU TRABALHO CONTINUANDO A COMENTAR E ADICIONANDO O LIVRO A SUA BIBLIOTECA.
ME SIGAM NO INSTA
@paulaalmeidaescritora