E mais meia hora depois, estou me arrependendo de ter vindo. Conrad foi completamente dominado: ele grita, ruge e bebe como os outros. Supostamente, este seria um workshop para preparar cerveja, não uma degustação.
Incomodada com ele por me ter trazido a esta situação desconfortável, longe de ser considerada um encontro, pego o meu celular e envio uma mensagem de texto para a única pessoa que pode me tirar desta enrascada.
Eu: Você está ocupado?
Samuel: Não, por quê?
Eu: Estou longe de casa e não tenho como voltar, você pode me buscar?
Passaram alguns segundos antes que ele respondesse. Estou a um passo de me desculpar e pedir que ele esqueça quando chega uma mensagem dele.
Samuel: Dê-me o endereço.
Digo a minha localização e afasto-me da confusão para a rua para que seja mais fácil para ele me ver. Enquanto Samuel não chega, espero que Conrad perceba que eu fui, mas não é assim. O que é decepcionante, será sempre assim?
Não demora muito para que eu veja o carro de Samuel se aproximando. Ele sai do carro assim que o para e se aproxima de mim a passos largos.
— Você está bem? Ele pergunta.
— Sim, lamento ter te feito sair de casa.
— Isso não importa. Como você chegou a este lugar?
— Vim com um amigo.
— E ele te deixou sozinha?
— Sim.
Tenho certeza de que ele o chama de idi*ota. No entanto, fico em silêncio. Ele me guia até o carro dele e abre a porta do passageiro para mim. Depois ele sobe do lado dele e recua até sair da estrada e pegar a rodovia. Fazemos a viagem em silêncio. Estou envergonhada demais para pronunciar qualquer palavra.
Ao chegarmos à nossa residência, subimos até o nosso andar sem dizer nada. Mas não quero ficar calada para sempre e ele merece saber o que aconteceu. Abro a boca quando chegamos às portas dos apartamentos.
— Peço desculpas novamente, saí com um homem e, bem...
— Não precisa me explicar nada, só seja mais inteligente na hora de escolher com quem você sai.
E com isso, ele abre a porta e a fecha na minha cara. Suspiro. Mereço o maltrato da parte dele. Eu também ficaria chateada se tivesse que ir resgatar alguém no meio da noite.
Antes de ir para a cama, reviso o meu celular esperando encontrar uma mensagem do Conrad, mas não há nada. Não vou mais sair com ele.
*****
Não há nada que acalme o ardor das lembranças que carrego dentro de mim.
Basileia, Suíça
Margareth
É terça-feira de manhã e estou saindo para o trabalho. Assim que chego à empresa e passo pelo filtro de segurança, fico de pé, em choque, em frente ao meu posto de trabalho. Há alguns buquês de flores por perto, e no meio deles está Conrad, com outro buquê nas mãos e uma expressão cheia de culpa.
Aproximo-me dele com dúvida, sem saber como interpretar o seu ato.
— Isso é pouco para o que você merece, Margareth. Ele sussurra quando estou perto. — Ontem à noite me comportei como um idi*ota, e dizer isso é pouco. Não só te deixei sozinha, como também não percebi em que momento você foi embora. Quis te enviar uma mensagem, mas a vergonha não me deixou. Há alguma forma de eu compensar o meu erro?
Fico em silêncio, pois não sei o que dizer. Admito que o gesto é considerado, mas não consigo esquecer tão facilmente o que ele me fez.
— Obrigada pelas flores, são lindas. Digo a ele.
— Estou perdoado?
— Não, foi injusto você não só me levar para um ambiente que não era o meu, mas também me abandonar à minha sorte.
— Eu sei e lamento profundamente, Margareth.
— É melhor se deixarmos as coisas assim, Conrad.
— Não me diga isso, por favor. Ele deixa o buquê em uma das mesas para segurar o meu rosto. — Compreendo que cometi um erro, e por isso lutarei pelo teu perdão.
— Não estou pedindo que você lute.
— Sei que você não está pedindo isso, sou eu quem quer fazer.
— Não sei...
— Me basta com isso. Em pouco tempo eu te farei esquecer a minha falta. Ele posa os lábios na minha bochecha direita. — Tenha um bom dia, Margareth.
E ele vai embora antes que eu possa responder. Sem conseguir me conter, levo a mão à bochecha para acariciar a pele que acabei de beijar, e um sorriso bobo se forma no meu rosto, mas desvanece assim que me lembro do quão m*al me senti ontem à noite.
— Bom dia. Saúda Caroline, tirando-me das minhas reflexões.
— Bom dia. Pronta para hoje? Perguntei.
— Estou.
Ela me ajuda a organizar tudo para começar a atender os clientes.
— São bonitas. Ao virar-me, vejo que se refere às flores. — Cortesia da empresa?
— Não, foram um presente. Digo.
— Ah, o que você quer que eu faça com elas?
— Não se preocupe, vou levá-las para trás para que não incomodem.
Carrego os arranjos pesados para a parte de trás do local. Paro um minuto para admirá-las. Elas são realmente lindas e, portanto, caras. Se ele não tivesse a intenção de se desculpar sinceramente, não as teria trazido para mim, certo?
Me animo ao ouvir os pedidos dos trabalhadores. Volto para a frente e despacho com a minha energia habitual. Se algo aprendi ao longo dos anos é que, não importa o quão m*al você esteja por dentro, você deve se mostrar alegre para os outros. É uma habilidade que aperfeiçoei desde que Renard morreu.
Ao terminar de atender a todos, e sentindo falta da visita de Joelle, Caroline e eu nos preparamos para continuar o nosso trabalho.
— Estou praticando o que aprendi, que tal se eu preparar os bolos de chocolate?
— Avante.
Eu me afasto e permito que ela me mostre as suas habilidades. Para minha surpresa, ela faz muito bem. Dou uma ou outra orientação, mas na maioria das vezes é ela quem faz tudo.
— Então? Ela indaga com evidente ansiedade pela minha opinião.
— Bem feito, agora você pode me substituir. Brinquei.
— Nunca, as minhas preparações não se comparam às suas. Talvez você não tenha percebido, mas dá para notar a dedicação que você coloca em cada coisa. A paixão que emana de você é inspiradora, Margareth.
Os meus olhos se enchem de lágrimas por suas palavras. A última pessoa que me elogiou dessa forma foi Renard, e fico feliz em saber que não perdi o jeito.
— Para mim é um prazer compartilhar o que sei com você. Admito.
— E eu valorizo muito isso.
Quando dão duas da tarde, um entregador se aproxima. Aproximo-me para recebê-lo com alguma dúvida.
— Margareth Favre? Ele indaga.
— Sim.
— Tenho algo para você. Ele abre a sua mochila gigante e tira um arranjo de flores com o que parecem chocolates dentro. — Assine aqui. Ele pede depois de deixá-lo no balcão.
Ainda confusa com o presente, assino e passo o tablet para ele.
— Tenha um bom dia. Ele diz e vai embora antes que eu lhe responda.
— Outro presente? Pergunta Caroline atrás de mim.
— Parece que sim. Murmurei.
Reviso o cartão para descobrir que foi enviado por Conrad.
Estes chocolates não se aproximam das maravilhas que saem das suas mãos, mas espero que possa apreciar o gesto. Perdoe-me por ser um idi*ota.
Com carinho e sincero arrependimento.
C.M.