Capítulo 13

1779 Words
POV Sebastian Atrevida! É a primeira coisa que me vem à mente ao olhar para a pequena italiana. Ela m*l me chega aos ombros, mas tem uma língua que compete com a minha altura. Tão atrevida! Ela bateu-me! Teve a audácia de fazer algo que qualquer outra mulher pensaria mil vezes antes de ousar. Mas esta pequena não só o fez, como também despertou um desejo súbito em mim; um desejo de domá-la, de vê-la implorar. Ao observar os seus olhos multicoloridos — que outrora eram cinzentos e agora brilham num tom verde vivo — sinto o seu corpo tencionar-se sob a minha pegada firme na sua cintura. Os seus batimentos cardíacos mais parecem tambores, ecoando contra o meu peito. O seu cheiro de frutas vermelhas invade-me, fazendo-me querer lamber o seu pescoço. E os lábios, vermelhos como cerejas e entreabertos, são um convite silencioso para que eu a beije, para que a devore como um animal. Quero esmagar a sua boca contra a minha e senti-la gemer enquanto lhe tomo o fôlego. Empurro o seu corpo com mais força contra a árvore e aproveito a oportunidade para pressionar o meu pé entre as suas coxas. O resultado é imediato. — Umhm… Ela solta um gemido. Tão baixo que, se eu não estivesse atento a cada um dos seus movimentos, não teria ouvido. A pequena italiana está vermelha, com uma expressão de total confusão, como se perguntasse a si mesma de onde é que aquele som saiu. Eu sorrio internamente, já sabendo a resposta. A cada faísca de confusão que vejo nos seus olhos, a minha vontade aumenta. Eu quero ouvir mais. Quero ouvi-la gemer com a minha língua bem funda na sua garganta. Aperto um pouco mais o seu pescoço, sem intenção de a sufocar, mas querendo apenas arrancar-lhe mais um desses sons… — Sebastian? Inara? — A voz da minha tia ecoou mais perto, vindo do caminho de pedra. Maldição. Afastei-me um centímetro, apenas o suficiente para ver o pânico brilhar nos olhos da italiana. Ela estava arfante, as bochechas coradas e os lábios que eu tanto queria morder estavam trémulos. Eu podia ser um monstro, mas não ia deixar a minha tia ver o que eu estava prestes a fazer com aquela rapariga contra um carvalho. Soltei o seu pescoço, mas deixei a minha mão deslizar pela sua mandíbula uma última vez, o polegar pressionando o lábio inferior dela. — Isto ainda não acabou, italiana — sussurrei, a minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia. Afastei-me bruscamente, ajeitando o meu casaco enquanto a tia Samantha aparecia na curva do jardim, olhando-nos com uma desconfiança que eu ignorei olimpicamente. — O que é que se passa? — Ela perguntou, olhando de mim para Inara, e da Inara para mim. Nos próximos segundos, nenhum de nós responde. Pelo canto do olho, vejo a italiana a puxar ar para os pulmões, a tentar recompor-se. — Não é nada, senhora. Muito obrigada por tudo, mas eu já vou — disse ela, já se virando para sair, mas a minha tia travou-a. — Como assim? Onde você vai? — Minha tia pergunta com uma cara de quem não entende nada do que está a acontecer. — Eu vou embora, senhora. — O quê? Porquê? No mesmo instante, a italiana olha para mim com o maior desprezo que conseguia juntar num olhar. — Ah... só cuida da piccola por mim, tá senhora? Com a vossa licença — disse ela, saindo pelo caminho para a entrada da mansão. — Ei, Inara, espera! — Minha tia para no meio do caminho, ao vê-la atravessar a porta de vidro. E, finalmente, ela vira o seu olhar para mim, eu que fui tratado como um ser invisível este tempo todo. — O que você fez, Sebastian? — A voz da minha tia ecoou pelo jardim. O que ela fez não era uma pergunta, era uma acusação. Eu não respondi de imediato. O meu corpo ainda estava em chamas, os meus sentidos ainda capturavam o rasto do cheiro de frutas vermelhas que ela deixou no ar frio do jardim. A marca do desprezo dela ardia mais do que o tapa que ela me dera antes. Eu não sei o porquê, mas ver aquele desprezo no olhar dela deixou um gosto amargo na minha boca. — Fiz o que tinha de ser feito, tia. Eu mandei-a ir embora — respondi, a minha voz saindo gélida, enquanto ajeitava os punhos da camisa com uma calma que eu não sentia. — Mandaste-a ir embora! — Ela deu um passo à frente, a apontar para a porta por onde a italiana tinha desaparecido. — Porque você fez isso? — Eu fiz isso porque não confio nela! Eu vi-a três vezes numa única semana em lugares onde ela não deveria estar, tia! — rosnei, a minha voz vibrando de uma fúria contida por não saber quem é a p***a da mulher que se está a infiltrar na minha vida e na da minha família. — Ninguém aparece "por acaso" no nosso mundo tantas vezes, a menos que esteja à procura de algo. Ou a mando de alguém. Eu não sou um i****a. Minha tia deu um passo na minha direção, ignorando a aura gélida que eu emanava. — Três vezes numa semana? Já pensaste, na tua infinita arrogância, que o destino pode estar a tentar dar-te uma chance de ser um melhor pai? Ou que a rapariga apenas vive nesta cidade e, ao contrário de ti, não anda escondida em carros blindados? E lembra-te, Sebastian: é no teu mundo, não no meu. Porque se eu vir a mesma pessoa numa semana, eu vou achar normal. Porque essa é a minha vida, a vida que eu escolhi viver. Eu não vou ficar paranoica achando que todo o mundo me quer matar só por estar a aparecer constantemente no meu caminho. — O destino não existe no meu mundo, Samantha. Apenas a traição. — Ajeito o relógio no meu pulso, mas com o olhar fixo na porta por onde a italiana passara. — Se ela é uma espiã, eu vou descobrir. Mas por enquanto... ela continua a ser um perigo. — Não me interessa! Eu não me importo se ela é uma espiã ou não, se ela foi enviada pelo Rei da China! Para mim, Sebastian, o que importa é o que ela foi capaz de fazer pela minha neta. Lágrimas. Minha tia tinha lágrimas nos olhos enquanto falava. E eu não entendia o porquê. O que aquela mulher fez para deixar a minha tia desse jeito? — Do que a senhora está a falar, tia? — Ah, você não sabe, não é? — Pergunta ela, limpando uma lágrima que caiu dos seus olhos azuis, iguais aos meus. — Você não sabe porque nem deu uma chance à moça para se explicar quando a encontrou com a Chloé. Eu não entendo onde ela quer chegar. O que aquela mulher fez? — Tia, onde a senhora quer chegar com isso? O que ela fez diz de uma vez? — Pergunto, com a minha voz saindo mais grossa do que pretendia. — Ela fez a Chloé falar! Por um... só por um instante, eu senti o tempo parar. O som dos pássaros, das árvores balançando ao vento... tudo parou. Mas não as batidas do meu coração. Ele batia tão forte quanto naquele dia... o dia em que o médico me disse que minha filha não podia falar. Não por ter nascido assim, mas porque o psicológico dela estava ferido. Por eu ter ferido o psicológico dela. Mas ela ter falado com uma estranha? Isso eu não consigo acreditar. — Do que a senhora está a falar, tia? A senhora acredita mesmo nela? Está a confiar numa pessoa que conheceu em tão poucas horas? — Pergunto, recompondo-me. — Sim, confio. Eu confio nela, Sebastian, porque ela tem o mesmo olhar que eu. Ela tem o olhar de quem já perdeu muito e ganhou pouco, mas que se contenta com o pouco que ganhou. As lágrimas da minha tia agora caíam livremente pelo seu rosto. Eu não sei muito sobre a história dela; tanto ela como minha mãe não me quiseram contar, mas eu sei que ela sofreu. Muito. Tanto que teve de mudar de país para se encontrar de novo e se tornar a mulher que é hoje. — E além disso, a Chloé confirmou isso para mim. Ela escreveu que sim, que falou com a Inara, mas que agora não consegue mais. Desde que a Luna morreu, você se afastou dela, tanto que a deixou sozinha nesta mansão, Sebastian. E eu sei o que você vai dizer: que é para o bem dela. Mas não é. Ela precisa do pai! Por que é que você acha que ela fugiu? Ela fez isso para chamar a tua atenção! A cada palavra dela, eu sentia um golpe no meu orgulho, uma rachadura na armadura que construí. — E nesse mesmo dia, Sebastian, você nem atendeu o celular. Nem você, nem a sua mãe. Eu, que estava na Tailândia, é que atendi a ligação de um dos guardas! Não faz isso com a sua filha. Você acha que a Luna ficaria feliz? Ela precisa de você. E de uma outra figura na vida dela. Não eu. Ela ama-me e eu amo-a de volta, mas neste momento ela não precisa tanto de mim. Ela não falou comigo, Sebastian... mas com uma estranha. Senti um gosto amargo de derrota na boca. O silêncio do jardim parecia pesar toneladas. — Eu amo-te muito, meu filho. Muito. Mas já que você não quer que ela tenha um pai, pelo menos permita que ela tenha uma figura diferente na vida dela. Ela precisa disso. Ah, e sobre o destino... todo o mundo está destinado a algo, meu amor. Então ele existe, sim. E acredita em mim: não importa que tipo de caminho escolhas agora, o teu destino já está escrito. E cedo ou tarde, ele vai-te pegar. Ela deu um passo atrás, o olhar triste mas firme. — Ah, e outra coisa: a Inara está ferida. Sei que você não a quer aqui, mas faça pelo menos com que ela chegue bem a casa. Você sabe melhor do que ninguém que aqui não entram outros carros. Minha tia deu-me as costas, deixando-me com um turbilhão de pensamentos na cabeça. O desprezo da italiana, o choro mudo da minha filha e a verdade cortante da minha tia. Respiro fundo, sentindo o ar frio queimar os pulmões, e tiro o celular do bolso da minha calça jeans. O meu polegar hesita por um segundo antes de discar o número do meu motorista. — Liam…
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