O Don Ferido

2061 Words

O som do gotejar do soro era a única coisa viva naquele quarto escuro. Lorenzo acordou com a garganta seca e um zumbido constante nos ouvidos. O teto de concreto rachado acima dele parecia o mesmo de sempre, mas algo estava diferente — o silêncio estava pesado demais. Tentou se mover, mas o corpo respondeu com dor. O ombro latejava, a costela ardia, e o gosto de sangue seco ainda estava na boca. Quando virou o rosto, viu Amira sentada ao lado da cama, os olhos vermelhos de cansaço. — Você devia dormir — murmurou, a voz fraca. Ela levantou o olhar, irritada. — E você devia estar morto. Ele esboçou um sorriso cansado. — Ainda não conseguiram me matar. — Talvez porque eu não deixei — retrucou, cruzando os braços. — Se dependesse da sua teimosia, você já teria se enterrado sozinho.

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