A madrugada caiu sobre Palermo com o peso de uma sentença. Do lado de fora, o vento trazia o cheiro de tempestade; do lado de dentro, a mansão Valente parecia prestes a desmoronar — não pelas balas, mas pelos segredos. Amira acordou com uma dor aguda no ventre. O corpo suava, o coração disparava. Demorou alguns segundos para entender: o filho vinha antes do tempo. Tentou se levantar, mas as pernas falharam. A mão buscou apoio na parede, e o grito escapou antes que conseguisse contê-lo. — Matteo! — chamou, a voz fraca. A criada Rosetta II correu para o quarto. — Senhora, o bebê… — Está vindo. — murmurou Amira, os olhos marejados. — Chame Lorenzo. Agora. O Don estava no escritório, revisando relatórios de segurança. Ouvia o som da chuva batendo nas janelas, o tic-tac do relógio e

