A mansão dormia sob o peso do sangue. As paredes, antes silenciosas, pareciam carregar os ecos da noite anterior — tiros, gritos, promessas quebradas. Lá fora, a chuva lavava o jardim, arrastando o resto de um pesadelo que ainda pulsava dentro de cada um. Lorenzo estava no escritório, a camisa ainda manchada de vermelho, o cigarro esquecido entre os dedos. O fogo da lareira tremulava, iluminando os traços duros do rosto, a linha tensa da mandíbula. A fumaça subia devagar, como um fantasma que não queria partir. Os seguranças haviam recolhido o corpo de Bianca. O nome dela não seria mencionado novamente — esse era o costume entre os Valente. O que morria sob o comando do Don desaparecia também da história. Mas, naquela madrugada, Lorenzo não conseguia fazer isso. Ele via o rosto dela ca

